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De olho nas eleições de 2030, partidos articulam novas federações e discutem cenário político após Lula

PSB e PDT negociam possível união para fortalecer suas bancadas no Congresso, enquanto PSDB também avalia alianças para ampliar sua representação política nos próximos anos.

27/10/2026 às 07h05
Por: Redação H1MT
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Com o encerramento das eleições presidenciais de 2026 e a confirmação do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), partidos políticos brasileiros começaram a discutir novas alianças e a formação de federações partidárias de olho nas eleições de 2030. As articulações buscam fortalecer as legendas no Congresso Nacional e preparar o cenário político para uma eventual disputa presidencial sem Lula.

Entre as principais movimentações estão as conversas entre o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do vice-presidente Geraldo Alckmin, e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), comandado nacionalmente por Carlos Lupi.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles nesta terça-feira (27), dirigentes das duas legendas avaliam a possibilidade de formar uma federação partidária, mecanismo que permite a atuação conjunta de partidos durante um período mínimo de quatro anos.

A proposta ganhou força após o desempenho eleitoral do PDT, que conseguiu eleger apenas seis deputados federais nas eleições deste ano e não alcançou os requisitos necessários para superar a chamada cláusula de barreira.

A regra estabelece critérios mínimos de votação ou representação parlamentar para que os partidos tenham acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Em 2026, as legendas precisavam conquistar pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal em todo o país, distribuídos conforme as exigências legais, ou eleger ao menos 13 deputados federais em nove estados.

Com o resultado abaixo do limite estabelecido, o PDT enfrenta dificuldades para manter sua estrutura partidária e ampliar sua participação nas próximas disputas eleitorais.

O PSB, por outro lado, conseguiu manter sua bancada de 15 deputados federais. Caso a federação seja concretizada, as duas legendas poderão formar um bloco de 21 parlamentares na Câmara dos Deputados, considerando os resultados das eleições de 2026.

A possível união colocaria o grupo entre as maiores bancadas da Casa a partir de fevereiro de 2027, ampliando sua participação nas negociações políticas e na distribuição dos espaços de representação parlamentar.

Dentro do PDT, entretanto, a proposta ainda provoca divergências. Uma ala defende a aproximação com o PSB como alternativa para fortalecer o partido, enquanto outros integrantes avaliam os impactos da medida sobre a identidade política da legenda.

O presidente nacional do PSB, João Campos, está entre os dirigentes favoráveis à articulação. A aproximação entre as duas siglas já começou a aparecer em manifestações conjuntas, incluindo o apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados.

Além das questões relacionadas à sobrevivência partidária, as negociações também consideram o futuro da centro-esquerda brasileira.

Lula, reeleito para governar o país entre 2027 e 2030, tem afirmado que a campanha presidencial deste ano foi sua última disputa pelo cargo. A declaração intensificou as discussões sobre possíveis lideranças e alianças para a eleição seguinte.

A movimentação, porém, não está restrita aos partidos ligados ao governo federal.

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), presidido por Aécio Neves, também avalia possibilidades de ampliar sua participação no cenário político nacional.

Após conquistar dois governos estaduais e eleger 11 deputados federais em conjunto com o Cidadania, partido com o qual mantém uma federação desde 2022, o PSDB passou a ser procurado por parlamentares interessados em discutir futuras alianças.

Segundo a reportagem, Aécio Neves ainda não tomou uma decisão sobre novas federações, mas mantém abertas as possibilidades de diálogo, inclusive com integrantes do PDT.

As articulações ocorrem em um Congresso Nacional que terá uma composição diferente a partir de 2027.

O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada individual da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares. A federação formada por PT, PCdoB e PV contará com 88 deputados, enquanto União Brasil e Progressistas terão 87 representantes em conjunto.

Outras legendas, como PSD, Republicanos, MDB e Podemos, também terão participação relevante nas negociações legislativas.

Criadas pela legislação eleitoral em 2021, as federações partidárias permitem que duas ou mais legendas atuem conjuntamente, mantendo suas estruturas individuais, mas funcionando como uma única organização para fins eleitorais e parlamentares.

Diferentemente das antigas coligações proporcionais, as federações exigem compromisso nacional e permanência conjunta por pelo menos quatro anos.

Atualmente, cinco federações estão registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reunindo partidos de diferentes campos políticos.

Apesar das vantagens eleitorais, o modelo também apresenta dificuldades, especialmente nos estados onde as legendas possuem interesses regionais distintos ou apoiam grupos políticos adversários.

Essas divergências podem provocar conflitos internos e influenciar diretamente as articulações para eleições estaduais e municipais.

Com a aproximação de uma nova legislatura e as discussões sobre o cenário presidencial de 2030, as negociações entre os partidos deverão continuar nos próximos meses.

Por enquanto, as possíveis novas federações permanecem em fase de discussão, sem decisões definitivas sobre sua formalização.

O movimento demonstra que, mesmo após o encerramento das eleições de 2026, as lideranças partidárias já começaram a reorganizar suas estratégias para os próximos quatro anos, considerando tanto a composição do Congresso quanto a futura sucessão presidencial.

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