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Gaeco faz buscas contra 15 vereadores de MT por suspeita de corrupção; sedes das Câmaras ficam fora da operação

Operação Cathedra Venalis investiga suposto esquema de compra de votos e negociação de vantagens políticas na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande; mandados foram cumpridos em residências e empresas de investigados.

20/10/2026 às 17h49
Por: Redação H1MT
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Gaeco faz buscas contra 15 vereadores de MT por suspeita de corrupção; sedes das Câmaras ficam fora da operação

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção e atuação de organização criminosa envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. A ação tem entre os investigados 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá, além de servidores públicos.

Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Apesar de envolver parlamentares dos dois municípios, nenhuma das sedes das Câmaras Municipais foi alvo das diligências. As buscas ocorreram exclusivamente em endereços residenciais e comerciais vinculados aos investigados.

A operação mobilizou mais de 200 policiais e integrantes de diferentes forças de segurança, incluindo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e equipes especializadas que atuam em conjunto com o Ministério Público.

Segundo as investigações, um grupo teria atuado de maneira organizada para obter vantagens indevidas, cooptar agentes públicos e interferir na composição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

As suspeitas estão relacionadas à eleição realizada em maio deste ano, quando o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) foi reconduzido à presidência do Legislativo municipal por 12 votos a 11, derrotando Lucas do Chapéu do Sol (PL).

Posteriormente, a eleição foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após decisão do ministro Dias Toffoli, que considerou irregular a antecipação da votação para o biênio 2027/2028.

A investigação teve início após denúncias de que parlamentares teriam sido reunidos em uma chácara localizada no distrito da Guia, em Cuiabá, onde supostamente ocorreram articulações para garantir apoio político à reeleição de Wanderley Cerqueira.

Conforme as denúncias encaminhadas ao Gaeco, o grupo teria utilizado mecanismos de pressão e oferecimento de vantagens financeiras para assegurar votos favoráveis à composição da Mesa Diretora.

Outro ponto investigado envolve um suposto plano para provocar a cassação da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), com o objetivo de alterar o controle político do município.

As denúncias também mencionam possíveis negociações envolvendo a privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE), que estariam relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas. Todas essas suspeitas ainda dependem de comprovação no decorrer das investigações.

Entre os parlamentares citados como investigados estão o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira, além de Gisa Barros, Braz Jaciro, Cilço da Cruz, Alessandro Moreira, Wender Madureira, Sargento Galibert, Dr. Miguel, Lucélia Oliveira, Kleberton Feitoza, Raul Curvo e Enfermeiro Emerson, entre outros nomes divulgados pela imprensa.

Na Câmara de Cuiabá, os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também estão entre os alvos da operação.

Servidores ligados à estrutura administrativa do Legislativo de Várzea Grande, incluindo a diretora financeira Lorineide Inhan e o secretário legislativo Samir Katumata, também foram citados nas apurações.

Apesar da investigação envolver integrantes das duas Casas Legislativas, os mandados não foram cumpridos nas dependências institucionais das Câmaras. A informação foi confirmada por representantes do Legislativo cuiabano, que ressaltaram que as atividades administrativas e parlamentares continuam normalmente.

O procurador-geral da Câmara de Cuiabá, Eustáquio Neto, afirmou que a investigação está relacionada a supostas irregularidades na eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande e que, até o momento, não há medidas judiciais direcionadas à instituição cuiabana.

Durante a operação, os investigadores buscaram documentos, aparelhos celulares, computadores e outros materiais que possam contribuir para esclarecer as suspeitas de corrupção e eventuais negociações políticas ilegais.

O nome da operação, Cathedra Venalis, tem origem no latim e faz referência à ideia de comercialização de cargos ou posições de poder, em alusão às práticas investigadas.

As investigações seguem em andamento, e os materiais apreendidos serão analisados pelas autoridades responsáveis. O cumprimento de mandados de busca e apreensão não representa comprovação de culpa, sendo assegurados aos investigados o direito à defesa e a presunção de inocência.

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