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Justiça impõe medida protetiva contra Chico Guarnieri após ameaças e ofensas a empresária de Sapezal

Deputado deverá manter distância mínima de 100 metros e está proibido de entrar em contato com a mulher; juiz apontou indícios de violência moral e psicológica baseada no gênero

17/09/2026 às 10h50 Atualizada em 17/09/2026 às 10h54
Por: Redação H1MT
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Justiça impõe medida protetiva contra Chico Guarnieri após ameaças e ofensas a empresária de Sapezal

A Justiça de Mato Grosso concedeu medidas protetivas de urgência contra o deputado estadual e candidato à reeleição Chico Guarnieri (PSDB), após uma empresária de Sapezal relatar ameaças e uma série de ofensas durante ligações telefônicas.

A decisão foi proferida no dia 8 de setembro pelo juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, da 1ª Vara de Sapezal. O processo tramita sob segredo de Justiça.

A medida determina que o parlamentar mantenha distância mínima de 100 metros da mulher, de seus familiares e de testemunhas. Chico Guarnieri também está proibido de manter qualquer tipo de contato com ela, seja por telefone, mensagens, redes sociais, pessoalmente ou por intermédio de terceiros.

Além disso, o deputado não poderá frequentar a residência, o estabelecimento empresarial ou outros locais habitualmente frequentados pela mulher.

Duas ligações foram apresentadas à Justiça

Segundo informações constantes na decisão divulgadas pela imprensa, o episódio ocorreu na noite de 1º de setembro, quando a empresária teria recebido duas ligações consecutivas pelo WhatsApp.

Em uma das conversas, o interlocutor teria se identificado como Francisco Guarnieri de Lima, nome completo do deputado Chico Guarnieri.

A gravação das ligações e capturas de tela mostrando o histórico das chamadas foram apresentadas à Justiça.

Conforme os relatos publicados sobre o processo, durante a discussão foram utilizadas diversas expressões ofensivas contra a empresária, além de comentários relacionados à vida sexual e à reputação da mulher.

Em um dos momentos de maior tensão da gravação, quando a empresária questiona se estaria sendo ameaçada, o interlocutor responde: “Estou ameaçando”.

Também teria sido mencionada a intenção de ir até o estabelecimento comercial da empresária. Segundo a decisão divulgada pela imprensa, em outro trecho teria sido utilizada a expressão “Você vai ver o doido”.

Juiz apontou indícios de autoria

Ao analisar o pedido de proteção, o juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães considerou que os elementos apresentados demonstravam, naquele estágio processual, plausibilidade quanto à autoria e à materialidade dos fatos narrados.

Entre os elementos considerados estão a gravação na qual o interlocutor se identifica pelo nome completo, o registro das duas chamadas consecutivas e um cartão de contato que, segundo os autos, relacionava o número utilizado nas ligações a uma fotografia oficial de campanha de Guarnieri.

Na avaliação registrada na decisão, esse conjunto de elementos conferia elevado grau de plausibilidade ao relato apresentado pela mulher.

A concessão da medida protetiva, contudo, possui natureza cautelar e não representa condenação criminal definitiva.

Magistrado apontou violência baseada no gênero

Outro ponto destacado na decisão é a natureza das ofensas.

O magistrado não acolheu a interpretação de que o episódio pudesse ser tratado apenas como uma discussão exaltada decorrente de divergências pessoais ou políticas.

Segundo a decisão divulgada pela imprensa, embora a origem do conflito aparentemente estivesse relacionada a “desavenças de natureza comunitária ou política”, o conteúdo da conversa teria ultrapassado essa questão.

Para o juiz, parte das agressões verbais foi direcionada especificamente à condição feminina da empresária, incluindo referências à sexualidade e à reputação da mulher.

Diante disso, o magistrado apontou a existência, em análise preliminar, de elementos de violência moral e psicológica baseada no gênero, fundamento utilizado para a aplicação das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Empresária procurou a polícia

Após o episódio, a empresária procurou as autoridades e registrou boletim de ocorrência.

Em declaração ao portal SPZ Online, ela confirmou a autenticidade da gravação que passou a circular nas redes sociais e veículos de comunicação e afirmou ter se sentido coagida e ameaçada durante a conversa.

O caso ganhou forte repercussão em Sapezal e posteriormente em todo Mato Grosso após a divulgação dos áudios.

Descumprimento pode resultar em prisão

A decisão também faz uma advertência expressa sobre o cumprimento das determinações judiciais.

Caso Chico Guarnieri descumpra as medidas protetivas impostas pela Justiça, o fato poderá configurar crime e, dependendo das circunstâncias, também poderá fundamentar eventual decretação de prisão preventiva.

Isso significa que o deputado deverá respeitar integralmente o limite mínimo de 100 metros e não poderá procurar a empresária diretamente ou por terceiros enquanto as determinações estiverem vigentes.

Deputado disputa a reeleição

Chico Guarnieri exerce atualmente mandato de deputado estadual e é candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso nas eleições de 2026 pelo PSDB.

A repercussão do episódio ocorre, portanto, em pleno período eleitoral.

Segundo reportagem do SPZ Online publicada após a divulgação dos áudios, o deputado informou, por meio de manifestação atribuída a ele pela imprensa, que se pronunciaria sobre o episódio em momento oportuno.

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