
As novas revelações do Caso Banco Master provocaram uma verdadeira guerra de bastidores em Brasília. À medida que mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro vêm a público, diferentes grupos políticos e institucionais passaram a se movimentar para tentar conter os danos provocados pela crise.
A avaliação é da coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, que descreve o momento como uma operação de “salve-se quem puder” na capital federal.
No centro da turbulência aparecem integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal e governo Lula.
Segundo a coluna, um dos grupos mais ativos nos bastidores envolve o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Os três tiveram seus nomes mencionados em mensagens de Vorcaro que vieram a público nos últimos dias.
A publicação relata que, diante do desgaste, aliados passaram a atuar politicamente e institucionalmente para tentar reduzir os impactos da crise.
Nesse movimento aparece também o ministro Gilmar Mendes, decano do STF. Segundo a análise da coluna, Gilmar tem interesse em evitar que a crise provoque um enfraquecimento institucional do Supremo e de aliados dentro da Corte.
Outro personagem citado é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que já manifestou resistência à abertura de processo de impeachment contra Moraes.
A crise também chegou ao Palácio do Planalto.
Segundo a coluna, aliados de Moraes esperavam uma reação mais contundente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do ministro.
Lula, entretanto, adotou uma posição diferente.
Sem citar diretamente Moraes, o presidente defendeu publicamente que todos os envolvidos no Caso Master sejam investigados, “sem blindagem, doa a quem doer”.
A postura ocorre a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial e, segundo a análise publicada pelo Metrópoles, também leva em consideração o risco de o escândalo provocar desgaste eleitoral para Lula.
Enquanto tenta administrar as consequências das mensagens envolvendo Vorcaro, Moraes abriu outra frente de confronto dentro do próprio Supremo.
Na quinta-feira (3), o ministro encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido para que a atuação de André Mendonça seja investigada.
Moraes aponta supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento a determinados grupos políticos durante a atuação de Mendonça como relator dos casos Master e INSS.
As acusações são feitas por Moraes e não representam conclusão de que Mendonça tenha cometido esses crimes.
A ofensiva ocorreu depois de Mendonça autorizar a retirada do sigilo do relatório que permitiu a divulgação das mensagens de Vorcaro envolvendo Moraes.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também acabou atingido pela disputa.
De acordo com a coluna, integrantes da cúpula da Polícia Federal criticam Messias por supostamente não ter reagido às decisões tomadas por Mendonça.
Messias, porém, teria uma interpretação completamente diferente.
Segundo o Metrópoles, ele avalia que as críticas fariam parte de um movimento para desgastá-lo e, ao mesmo tempo, preservar Paulo Gonet, que também possui atribuições relacionadas ao controle externo da atividade policial.
A situação é particularmente delicada para Messias porque ele ainda alimenta a expectativa de voltar a ser indicado por Lula para uma cadeira no Supremo.
No centro desse confronto está agora o presidente do Supremo, Edson Fachin.
Fachin determinou prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues apresentem esclarecimentos sobre diferentes pontos relacionados à crise.
Segundo a análise da coluna, o presidente da Corte tenta agir com cautela diante de uma situação extremamente delicada: precisa administrar uma disputa que envolve integrantes do próprio Supremo e, ao mesmo tempo, preservar a credibilidade institucional da Corte.
A forma como Fachin conduzirá o episódio poderá determinar se a crise permanecerá concentrada nos bastidores ou chegará definitivamente ao plenário do STF.
Enquanto vários personagens travam uma guerra pública de versões, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, adotou uma estratégia diferente.
Segundo a publicação, ele tem mantido postura discreta, evitando manifestações públicas sobre o confronto entre STF, Polícia Federal e integrantes do governo.
A posição chama atenção porque o Ministério da Justiça está diretamente relacionado à estrutura administrativa da Polícia Federal, uma das instituições envolvidas no embate.
O cenário descrito pelo Metrópoles mostra que o Caso Master ultrapassou há muito tempo os limites de uma investigação sobre uma instituição financeira.
A divulgação das mensagens de Vorcaro colocou autoridades de diferentes Poderes sob pressão e desencadeou uma sequência de acusações, pedidos de investigação, manifestações políticas e movimentos de bastidores.
De um lado, Moraes questiona a atuação de Mendonça. De outro, surgem cobranças sobre Moraes, Gonet e integrantes da Polícia Federal. Fachin tenta administrar a crise institucional, enquanto o governo Lula calcula os possíveis efeitos políticos e eleitorais do episódio.
É importante ressaltar que a citação de autoridades nas mensagens de Vorcaro não comprova, isoladamente, a prática de crimes ou irregularidades. Parte relevante do que ocorre neste momento envolve versões conflitantes, interpretações jurídicas e acusações ainda sem conclusão definitiva.
Mas uma coisa já parece evidente: o Caso Master abriu uma das maiores frentes de desgaste político e institucional de Brasília em 2026.
À medida que novas mensagens e documentos aparecem, cresce também a disputa para saber quem conseguirá atravessar a crise com menos danos.
Como resumiu a análise do Metrópoles, Brasília entrou em clima de “salve-se quem puder”.
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