
A crescente adesão de prefeitos filiados ao PL à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso abriu uma nova frente de confronto na campanha eleitoral.
Em meio às críticas da direção do partido e às acusações feitas pelo senador Wellington Fagundes (PL), Pivetta negou ter procurado prefeitos da legenda adversária para pedir apoio à sua reeleição.
Segundo o governador, as manifestações são espontâneas e resultado da relação construída com os municípios, da confiança dos gestores e da avaliação que fazem de sua administração.
Pivetta foi questionado sobre o crescente número de prefeitos do PL que, mesmo pertencendo ao partido de Wellington, decidiram subir em seu palanque.
O governador afirmou que não fez pedidos diretos.
“Eu não pedi, não pedi objetivamente para nenhum prefeito me apoiar”, declarou.
Segundo Pivetta, as adesões ocorrem pela convivência, confiança e expectativa dos gestores em relação ao que o Governo do Estado pode oferecer aos municípios.
O candidato ainda elevou o tom ao falar de Wellington e afirmou que, na sua avaliação, prefeitos que passam a conhecer melhor o adversário acabam optando por não apoiá-lo.
A declaração acontece em meio a um movimento que vem causando desconforto dentro do PL de Mato Grosso.
Entre os prefeitos filiados à legenda que já declararam apoio a Pivetta estão gestores de importantes municípios, como Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Flávia Moretti, de Várzea Grande; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; Emerson Sabatine, de Itanhangá; e Carlão Borchardt, de Tabaporã.
Em Campo Novo do Parecis, o prefeito Edilson Piaia foi além: anunciou apoio a Pivetta e pediu sua desfiliação do PL.
Na carta de saída, Piaia citou divergências com os rumos adotados pelo partido na eleição estadual e destacou a parceria administrativa mantida entre Campo Novo do Parecis e o Governo de Mato Grosso.
O movimento provocou reação da direção estadual do Partido Liberal.
O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, informou que casos de prefeitos que apoiam uma candidatura adversária serão analisados pelo jurídico da legenda e podem resultar em processos por infidelidade partidária.
As medidas podem chegar até à expulsão.
A postura, porém, não é consenso nem mesmo dentro do próprio PL.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, criticou publicamente as ameaças e classificou como “hipocrisia” a cobrança de fidelidade partidária nesse contexto. Para ele, prefeitos precisam manter relações administrativas que atendam aos interesses dos municípios.
Do outro lado, Wellington Fagundes apresentou uma versão diferente para explicar as adesões.
O candidato do PL afirmou ter recebido relatos de prefeitos que teriam sido pressionados a apoiar Pivetta sob risco de problemas no pagamento de convênios firmados com o Governo do Estado.
Wellington não apresentou, nas declarações consultadas, comprovação pública de que pagamentos tenham sido condicionados a apoio eleitoral. A acusação foi feita pelo candidato e deve ser tratada como tal.
Pivetta, por sua vez, nega ter pedido apoio aos gestores e atribui as adesões à confiança construída durante a relação administrativa com as prefeituras.
O embate mostra que a disputa entre Pivetta e Wellington começa a ultrapassar pesquisas e debates e chega com força às bases municipais.
Prefeitos possuem papel estratégico em uma eleição estadual por sua capacidade de articulação e mobilização no interior. Por isso, ver gestores do próprio PL declarando apoio ao principal adversário representa um problema político para a candidatura de Wellington.
Para Pivetta, o movimento serve como demonstração de confiança em sua gestão. Para Wellington, parte dessas adesões estaria ocorrendo sob pressão.
No meio da disputa estão os próprios prefeitos, que começam a enfrentar inclusive a possibilidade de punições partidárias por escolherem um palanque diferente daquele definido oficialmente pelo PL.
A corrida pelo Palácio Paiaguás ganha, assim, uma nova batalha: a disputa pelo apoio dos prefeitos e pela força política no interior de Mato Grosso.
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