
O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou a 33 anos e 10 meses de prisão Alex Roberto de Queiroz Silva, executor confesso do assassinato do advogado Renato Gomes Nery.
O julgamento, realizado no Fórum da Capital, marcou o primeiro desfecho judicial de um dos crimes que mais chocou o estado de Mato Grosso pela frieza e articulação.
A execução de Renato Nery, ex-presidente da OAB-MT, ocorreu no dia 5 de julho de 2024. A vítima foi baleada na cabeça enquanto chegava ao seu escritório, localizado em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, e faleceu no dia seguinte.
A confissão e as motivações Durante o interrogatório, o executor confesso deu detalhes frios sobre a emboscada. Alex declarou aos jurados que aceitou o serviço por estar endividado e sofrendo ameaças de agiotas.
Segundo o réu, ele ouviu falar sobre a "encomenda" da morte durante um churrasco, onde foi oferecido um montante que girava em torno de R$ 200 mil pela cabeça do advogado.
Pela execução, ele afirmou ter recebido cerca de R$ 100 mil. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontou que o homicídio foi cuidadosamente planejado e teve divisão de tarefas.
A motivação principal seria uma disputa judicial envolvendo uma fazenda de mais de 12 mil hectares em Novo São Joaquim, avaliada em milhões de reais.
Desdobramentos e os próximos passos O julgamento desta quarta-feira foi apenas o primeiro de uma série de sessões previstas.
A acusação sustenta que o casal de empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi foram os mandantes intelectuais do crime e pagaram o valor pela morte do jurista.
O caso também envolve policiais militares da Rotam, acusados de atuarem como intermediários e de tentarem simular um falso confronto para ocultar a arma utilizada no assassinato de Renato Nery.
A família da vítima acompanhou de perto o primeiro júri popular. Em depoimento emocionante, a filha do advogado, Lívia Nery, relembrou o desespero ao encontrar o pai ensanguentado e destacou que a sensação de medo na família só passará quando todos os mandantes e envolvidos forem julgados e condenados. O pistoleiro também vai ter que pagar 40 salários mínimos para a família.
Com informações do RepórterMT
Mín. 22° Máx. 35°