
O Governo de Mato Grosso atualizou a classificação da qualidade das águas do Rio Coxipó e estabeleceu metas para reduzir gradualmente a poluição ao longo dos próximos dez anos.
A mudança foi formalizada em resolução do Conselho Estadual de Recursos Hídricos e deverá servir de referência para ações de saneamento, fiscalização ambiental, concessão de outorgas e recuperação dos cursos de água da capital.
O diagnóstico técnico mostra uma diferença expressiva entre a nascente e os trechos urbanos. O Rio Coxipó nasce no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães com águas classificadas como Classe 1, considerada uma das melhores categorias ambientais.
À medida que avança pela área urbana de Cuiabá, entretanto, o rio sofre degradação progressiva. Alguns trechos chegam à Classe 4, a pior classificação prevista na legislação, antes do encontro com o Rio Cuiabá.
A situação é atribuída principalmente à expansão urbana, à ocupação irregular das margens, ao despejo de esgoto e resíduos, além da deficiência histórica na infraestrutura de saneamento.
O levantamento também analisou afluentes importantes da bacia do Coxipó. O Córrego do Caju aparece entre os pontos mais degradados, com elevada carga de matéria orgânica.
Os córregos Urubu, Moinho e um afluente do Castelhano também permanecem enquadrados na Classe 4. Nessas condições, a água é considerada imprópria para abastecimento público, banho ou irrigação de hortaliças consumidas cruas.
A classificação não significa que todas as áreas apresentam exatamente o mesmo nível de contaminação. O enquadramento funciona como uma ferramenta de planejamento, estabelecendo a qualidade atual e o patamar que deverá ser alcançado por meio de políticas públicas.
A resolução admite que a recuperação não ocorrerá de maneira imediata. Em determinados córregos, os avanços esperados durante a próxima década ainda serão modestos.
No trecho urbano do Rio Coxipó, a meta é reduzir parcialmente os níveis de poluição e melhorar a qualidade da água em segmentos considerados prioritários.
As novas regras substituem parte do enquadramento estabelecido em 2014 e abrangem também as bacias dos córregos Moinho, Três Barras e Gumitá.
A efetividade das medidas dependerá de investimentos em coleta e tratamento de esgoto, fiscalização de lançamentos clandestinos, preservação das margens e acompanhamento contínuo dos indicadores ambientais.
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