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Servidor do TCE-MT suspeito de receber R$ 3 milhões deixa prisão após pagar fiança de R$ 97 mil

Investigado pela Polícia Federal na Operação Tomada de Contas, servidor foi encontrado com 16 armas, cerca de R$ 600 mil em dinheiro, moedas estrangeiras e ouro. Ele permanece afastado das funções públicas.

04/11/2026 às 10h32 Atualizada em 04/11/2026 às 10h51
Por: Redação H1MT
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Reprodução
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O técnico de controle externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Jocimauro Bento do Carmo, deixou a prisão após pagar uma fiança de R$ 97.260. O servidor foi preso em flagrante durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal no dia 29 de outubro, que investiga um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos no órgão.

Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os policiais federais encontraram 16 armas de fogo, aproximadamente 6 mil munições, cerca de R$ 600 mil em espécie, além de dólares, euros e ouro.

Segundo as investigações, Jocimauro também é suspeito de ter recebido mais de R$ 3 milhões em pagamentos considerados irregulares.

Armas e dinheiro encontrados durante operação

De acordo com a Polícia Federal, 15 armas estavam guardadas em um escritório localizado no apartamento do servidor. Um revólver foi encontrado no veículo dele.

Das 16 armas apreendidas, 15 possuíam registro regular. O revólver encontrado no automóvel estava sem a documentação exigida, situação que motivou a prisão em flagrante.

Além dos armamentos, os agentes localizaram aproximadamente R$ 600 mil em moeda nacional, US$ 25 mil e € 10 mil, além de ouro.

Os valores estavam armazenados em cofres, mochilas, bolsas e sacolas.

Após o pagamento da fiança, equivalente a 60 salários mínimos, o servidor foi colocado em liberdade.

Investigação aponta pagamentos superiores a R$ 3 milhões

Conforme os levantamentos da Polícia Federal, Jocimauro teria recebido mais de R$ 3 milhões em pagamentos relacionados ao suposto esquema investigado no Tribunal de Contas.

Desse montante, aproximadamente R$ 1,8 milhão teria sido movimentado por meio de 32 ordens bancárias avulsas, envolvendo cinco contas em três instituições financeiras.

Os investigadores identificaram movimentações financeiras em setembro e outubro de 2025.

A Polícia Federal ressalta, entretanto, que não foram encontrados elementos que vinculem diretamente o servidor à realização dos saques em espécie ou ao transporte físico dos valores.

As suspeitas estão relacionadas aos pagamentos identificados, ao volume das movimentações e à inclusão do servidor em operações financeiras consideradas atípicas.

Servidor continua afastado do TCE-MT

Apesar da liberdade mediante fiança, Jocimauro permanece submetido a medidas cautelares determinadas pela Justiça.

Ele está afastado do exercício das funções públicas, proibido de frequentar as dependências do Tribunal de Contas e impedido de manter contato com outros investigados.

A liberação mediante fiança ocorreu em razão da prisão em flagrante pela arma sem registro e não representa o encerramento das investigações sobre os pagamentos suspeitos.

Operação investiga possível desvio de R$ 145 milhões

A Operação Tomada de Contas apura suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados a conselheiros, servidores e pessoas ligadas ao TCE-MT.

Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia a suspensão de contratos sob justificativa de dificuldades orçamentárias, enquanto determinadas empresas continuariam recebendo recursos e repassando parte dos valores a integrantes do grupo investigado.

O possível prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 145 milhões, montante que ainda depende da conclusão das investigações.

A operação também resultou na prisão preventiva de seis pessoas, entre elas o então presidente do Tribunal de Contas, Sérgio Ricardo de Almeida.

As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), e as investigações seguem sob supervisão judicial.

Investigação continua

A Polícia Federal busca esclarecer a origem dos recursos encontrados, a legalidade dos pagamentos e a eventual participação de cada investigado no suposto esquema.

Todos os envolvidos têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

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