
O caso do médico Euller Gustavo Preza, investigado após a morte de uma jovem de 24 anos durante uma cirurgia plástica em Cuiabá, ganhou repercussão nacional neste domingo (1º), após uma reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da Record TV.
A vítima, Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, morreu no dia 16 de outubro, durante procedimentos de lipoescultura e colocação de próteses de silicone nos seios, realizados no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá. Durante a cirurgia, a jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu, apesar das tentativas de reanimação.
A reportagem revelou que pelo menos 20 mulheres relatam complicações após procedimentos realizados pelo mesmo profissional. Entre as denúncias estão deformidades nas mamas, cicatrizes, perfuração de prótese de silicone e até a reconstrução de um umbigo que, segundo uma paciente, teria sido realizada sem sua autorização.
Uma das mulheres entrevistadas afirmou que precisou procurar outros profissionais para corrigir problemas decorrentes de uma cirurgia. Outra relatou que teve uma prótese perfurada durante a aplicação de anestesia.
Médico não possui registro de especialista em cirurgia plástica
Outro ponto destacado pela reportagem foi a situação profissional de Euller Preza. Embora possua registro regular no Conselho Regional de Medicina (CRM), ele não tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso abriu uma sindicância para investigar o caso. Segundo o órgão, o profissional também responde a quatro processos éticos, cujos detalhes são mantidos sob sigilo.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Lurdes e deverá ouvir os profissionais envolvidos no procedimento.
Defesa nega irregularidades
A defesa do médico rebateu as acusações e afirmou que ele possui formação complementar e experiência profissional para realizar os procedimentos.
Sobre a morte da jovem, os advogados sustentam que a cirurgia seguiu os protocolos médicos e que a equipe agiu imediatamente após identificar uma intercorrência durante o procedimento.
A defesa também argumenta que a ausência do RQE não impede, por si só, a realização de atos médicos.
As investigações continuam, e ainda não existe conclusão oficial que comprove erro médico na morte da paciente.
O caso segue repercutindo em Mato Grosso e em todo o país, enquanto familiares da vítima aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
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