
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) recebeu 61 denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho entre 1º de janeiro e 28 de outubro de 2026. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (29) e revela que mais da metade das denúncias foi registrada nos três dias seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo o órgão, entre segunda-feira (26) e quarta-feira (28), foram contabilizadas 31 novas denúncias. Isso não significa, necessariamente, que todos os episódios tenham ocorrido após a votação, mas demonstra que trabalhadores continuam procurando as autoridades para relatar possíveis irregularidades relacionadas às suas escolhas políticas.
Ao longo do ano, o MPT-MT instaurou 25 inquéritos civis e expediu 31 recomendações para prevenir e combater práticas de assédio eleitoral no ambiente profissional.
Cuiabá lidera o levantamento estadual, com 20 denúncias. Em seguida aparecem Sinop, com nove registros, Barra do Garças, com sete, Rondonópolis, com quatro, e Várzea Grande, com três. Outras 15 localidades também aparecem na relação, com uma ou duas denúncias cada.
Entre os casos que ganharam repercussão está uma situação registrada em Lucas do Rio Verde, onde mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp sugeriam boicotes a empresas supostamente ligadas a apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As conversas divulgadas também mencionavam a elaboração de listas de comerciantes identificados com determinadas posições políticas e possíveis medidas de retaliação econômica.
Os fatos ainda dependem de apuração, e a divulgação das mensagens não representa comprovação de responsabilidade dos participantes.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o assédio eleitoral ocorre quando trabalhadores são submetidos a ameaças, constrangimentos, pressões ou promessas de vantagens para influenciar suas escolhas políticas.
A prática também pode ocorrer após as eleições, especialmente quando funcionários sofrem perseguições, ameaças de demissão ou outras formas de retaliação em razão do candidato escolhido.
O MPT ressalta que a liberdade de opinião política deve ser respeitada dentro e fora do ambiente profissional. Nenhum trabalhador pode ser obrigado a revelar seu voto ou sofrer prejuízos no emprego por suas convicções políticas.
As recomendações expedidas pelo órgão têm caráter preventivo e orientam empregadores e instituições públicas a adotarem medidas para impedir situações de constrangimento.
Já os inquéritos civis permitem aprofundar as investigações e reunir provas sobre possíveis irregularidades. Dependendo dos resultados, o Ministério Público poderá ingressar com ações na Justiça do Trabalho.
O levantamento também apresenta dados de eleições anteriores. Em 2022, Mato Grosso registrou 119 denúncias de assédio eleitoral, envolvendo 80 empregadores denunciados. Na ocasião, foram ajuizadas 12 ações civis públicas, com a concessão de 11 decisões liminares.
Nas eleições municipais de 2024, foram contabilizadas 21 denúncias no estado.
O Ministério Público do Trabalho reforça que trabalhadores que sofrerem ou presenciarem situações de assédio eleitoral podem registrar denúncias, mesmo após o encerramento do processo eleitoral.
As denúncias podem ser realizadas pelo endereço mpt.mp.br/assedio-eleitoral, pelo site do MPT em Mato Grosso ou pelo e-mail prt23.atendimento@mpt.mp.br.
A identidade do denunciante é preservada. Mensagens, áudios, capturas de tela e informações sobre testemunhas podem contribuir para a investigação.
O órgão destaca que todas as denúncias são analisadas individualmente, respeitando o direito de defesa dos envolvidos e sem antecipação de conclusões sobre eventuais responsabilidades.
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