
A Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie, veículos de luxo, relógios, documentos e outros materiais durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada na manhã desta quinta-feira (29), contra suspeitas de corrupção e irregularidades administrativas no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram grandes quantidades de cédulas de real, dólar e euro, além de relógios de marcas internacionais e veículos de luxo, incluindo modelos da Audi e Mercedes-Benz.

Além dele, foram expedidos mandados de prisão contra outros cinco investigados ligados à estrutura administrativa do Tribunal de Contas.
A operação também resultou no afastamento dos conselheiros Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar, além do próprio presidente Sérgio Ricardo. O conselheiro aposentado Valter Albano também foi alvo das investigações, com medida relacionada à sua atuação em uma comissão da instituição.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes federais estiveram na sede do TCE-MT, localizada no Centro Político Administrativo, em Cuiabá, onde recolheram computadores, documentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.

O expediente no Tribunal foi suspenso durante a ação policial, e o acesso ao prédio ficou restrito.
Ao todo, mais de 180 policiais federais participaram da operação, que prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As ordens judiciais também incluem medidas de quebra de sigilo e sequestro de bens dos investigados.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apuram indícios de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como instrumento de pressão contra empresas fornecedoras de serviços ao Tribunal de Contas.
Os investigadores também suspeitam de tratamento diferenciado na liberação de pagamentos, possíveis favorecimentos a determinadas empresas e irregularidades na movimentação de recursos financeiros.
Outro ponto investigado envolve saques frequentes de dinheiro em espécie e movimentações bancárias consideradas atípicas, que podem ter relação com pagamentos realizados dentro da própria instituição.
Os materiais apreendidos serão submetidos à análise para identificar a origem dos recursos, verificar eventuais vínculos com os fatos investigados e esclarecer a participação individual dos suspeitos.

A Polícia Federal informou que as condutas investigadas podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A apreensão de dinheiro e bens de alto valor não representa, por si só, comprovação de origem ilícita. Essa relação deverá ser apurada no decorrer das investigações.
A Operação Tomada de Contas provoca repercussão no cenário político e institucional de Mato Grosso, uma vez que o TCE-MT é o órgão responsável pela fiscalização da aplicação dos recursos públicos estaduais e municipais.
Até a divulgação das primeiras informações, o Tribunal de Contas ainda não havia apresentado posicionamento oficial sobre a operação.
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, e os envolvidos têm assegurados o direito à defesa e a presunção de inocência.
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