
Um novo laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) trouxe um dado importante para a investigação do grave acidente que matou Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura, de apenas 4 anos, em Sorriso.
A perícia concluiu que a Land Rover Discovery conduzida por Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, trafegava a aproximadamente 97 km/h momentos antes de atingir o Fiat Palio onde estava a criança com a família.
O acidente aconteceu na madrugada de 12 de julho, na Avenida Blumenau, uma das principais vias de Sorriso.
De acordo com o laudo, a velocidade média estimada da Land Rover no trecho imediatamente anterior ao impacto foi de 96,899 km/h.
O cálculo pericial estabeleceu um intervalo entre 96,554 km/h e 97,244 km/h, reforçando tecnicamente os indícios de alta velocidade que já apareciam nas imagens de câmeras de segurança.
As gravações mostram o Palio reduzindo a velocidade próximo ao acostamento antes de ser atingido pela Land Rover.
Com a violência da colisão, o carro da família girou na pista e foi arremessado por alguns metros. A Land Rover subiu no canteiro central e ainda percorreu outra distância até parar.
No Palio estavam Gabriel Gustavo, a mãe e o padrasto.
A criança foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Os dois adultos também ficaram feridos.
O caso provocou grande repercussão em Mato Grosso e passou a ser investigado considerando as circunstâncias em que o veículo era conduzido.
Em depoimento à Polícia Civil, Gabriel Dombski afirmou que não se lembrava da velocidade em que dirigia.
Ele também alegou que não conseguiu visualizar corretamente o Palio e afirmou que o outro veículo estaria sem sinalização luminosa.
Imagens obtidas durante a investigação, porém, mostram os faróis traseiros do Palio acesos antes da colisão. Outras câmeras também registraram a Land Rover trafegando aparentemente em alta velocidade em diferentes pontos antes de chegar à Avenida Blumenau.
Após o acidente, o condutor se recusou a realizar o teste do bafômetro.
Posteriormente, em depoimento, ele afirmou que não havia ingerido bebida alcoólica naquela noite.
Entretanto, imagens de estabelecimentos comerciais registraram o motorista comprando e consumindo bebidas antes do acidente, segundo a reportagem. Registros de pagamentos também foram reunidos durante a apuração.
Um exame toxicológico realizado somente no dia seguinte não detectou álcool no sangue. Por isso, a eventual ingestão de bebida e seus efeitos no momento do acidente são questões que deverão ser avaliadas no processo a partir do conjunto das provas.
Gabriel Dombski permanece preso preventivamente desde o acidente.
A Justiça já recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso. Com isso, ele se tornou réu por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, pela morte da criança, além de duas tentativas de homicídio qualificado contra a mãe e o padrasto.
O Ministério Público sustenta que o motorista assumiu o risco de produzir o resultado ao dirigir nas circunstâncias descritas na denúncia.
A defesa poderá contestar as acusações durante o processo, e o recebimento da denúncia não representa condenação.
Como o caso envolve acusações de crimes dolosos contra a vida, o processo segue o rito do Tribunal do Júri. Ao final da fase de instrução, a Justiça decidirá se o réu será submetido a julgamento pelo Conselho de Sentença.
O cálculo da velocidade acrescenta um novo elemento técnico a um caso que, desde julho, vem sendo analisado pela Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário.
Até então, as imagens indicavam que a Land Rover trafegava em alta velocidade. Agora, a perícia apresenta uma estimativa objetiva: cerca de 97 km/h imediatamente antes do impacto.
O dado deverá integrar o conjunto de provas analisado no processo que apura as responsabilidades pela colisão que tirou a vida de uma criança de apenas quatro anos e deixou outros dois integrantes da família feridos.
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