
Uma nova regra do Pix amplia os mecanismos de combate a golpes e fraudes no sistema de pagamentos instantâneos. A principal mudança está no aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central para tentar recuperar valores transferidos em operações fraudulentas.
Com o chamado MED 2.0, as instituições financeiras passam a contar com uma estrutura mais eficiente para rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro depois que ele chega à conta utilizada inicialmente no golpe.
No modelo anterior, uma das principais dificuldades para recuperar o dinheiro estava na rapidez com que os criminosos movimentavam os valores.
Após receber um Pix da vítima, o golpista poderia transferir rapidamente o dinheiro para outras contas. Quando a instituição financeira tentava realizar o bloqueio, muitas vezes já não havia saldo suficiente na conta que recebeu originalmente a transferência.
Essa estratégia, conhecida como triangulação ou pulverização dos recursos, reduzia as chances de recuperação do dinheiro.
Com o sistema aprimorado, o dinheiro poderá ser rastreado também em transações subsequentes.
Isso significa que, caso o valor recebido pelo golpista seja rapidamente transferido para uma segunda ou outras contas, o mecanismo poderá identificar esse caminho e possibilitar o bloqueio e a recuperação dos recursos encontrados nessas contas.
Na prática, a medida tenta fechar uma das principais brechas utilizadas pelos criminosos: retirar rapidamente o dinheiro da primeira conta para dificultar sua recuperação.
Outra ferramenta disponível aos usuários é o autoatendimento do MED. Em situações envolvendo fraude, golpe ou crime, o cliente pode iniciar a contestação da transação diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.
O usuário pode selecionar a operação que deseja contestar, informar o tipo de fraude e acompanhar o andamento da solicitação pelo próprio aplicativo.
A ferramenta busca acelerar a comunicação entre as instituições financeiras e aumentar as chances de que os valores sejam bloqueados antes que desapareçam das contas envolvidas.
Apesar das mudanças, é importante destacar que contestar um Pix não significa que o dinheiro será automaticamente devolvido.
As instituições envolvidas precisam analisar o caso e confirmar a existência da fraude. Além disso, a recuperação depende da localização e disponibilidade dos recursos nas contas envolvidas.
O MED também não deve ser utilizado para situações de simples desacordo comercial, como uma discussão entre cliente e vendedor sobre produto ou serviço, nem para um Pix enviado por engano.
O Banco Central vem implementando uma série de medidas para aumentar a segurança do Pix e dificultar a utilização de contas bancárias por criminosos.
Com o rastreamento ampliado, a expectativa é aumentar as chances de recuperação do dinheiro das vítimas e também melhorar a identificação das contas utilizadas para receber e movimentar recursos provenientes de golpes.
Mesmo com os novos mecanismos, a orientação continua sendo de atenção antes de realizar qualquer transferência. Conferir o nome do destinatário, desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro e confirmar solicitações por outros meios continuam sendo medidas importantes para evitar prejuízos.
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