
Na última quarta-feira (5), o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu os juros em 0,25 ponto, com a Selic agora no patamar de 14% ao ano.
Foi o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros pela autarquia, em decisão unânime. A trajetória de afrouxamento monetário pode ser pausada, no entanto, com um comunicado deixando em aberto a decisão sobre a Selic para a reunião de setembro do Comitê.
O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, ressalta a importância de observar a divulgação da ata do Copom nesta terça-feira (11) e projeta que a Selic sofra mais uma redução em 2026, terminando o ano em 13,75%.
"Se a gente continuar observando o cenário que o BC pode classificar como sinais heterogêneos de desaceleração da atividade econômica, se o cenário de inflação para os próximos 2 meses se confirmar, se a gente continuar na perspectiva de um câmbio comportado, parece que o BC está disposto a continuar no ciclo de corte de juros", afirma.
Questionado sobre os efeitos causados pelo preço do petróleo por conta dos conflitos no Oriente Médio, Sichel pondera que a commodity ainda pode impactar a política monetária brasileira.
"Fica naturalmente como um risco. O choque de oferta implica em compressão de margens das empresas, em compressão da renda disponível das famílias, o que leva a menos atividade com mais inflação, que é absolutamente desconfortável para a autoridade monetária", explica.
A economista-chefe para América Latina da BNP Paribas, Fernanda Guardado, faz ressalvas sobre as expectativas para a inflação no horizonte relevante do BC para 2028 e avalia que uma pausa no ciclo de cortes de juros pode ser o ideal, em meio a riscos climáticos que podem impactar preços.
"Como você vai cortar juros quando a projeção daqui a 2 anos ainda não está na meta? Em um ambiente que os riscos são assimétricos para cima, em que você tem riscos importantes como é o caso do El Niño", questiona.
Guardado ainda comenta sobre possíveis impactos da decisão de política monetária de outras economias. Em meio à expectativa de alta de juros pelo Federal Reserve nos EUA e outros bancos centrais mundo afora, a economista vê o Brasil sendo menos afetado que outros países em desenvolvimento.
"Se você vê um aumento no exterior, é como se a base dos juros para outros países emergentes também ficasse ligeiramente mais alta. O fato de nós já estarmos em patamar mais alto nos protege um pouco, mas temos nossas idiossincrasias para lidar que exigem de fato esse patamar", conta.
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