
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), a Operação Insídia, para combater um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos suspeitos de facilitar a entrada clandestina de celulares e outros objetos para integrantes de uma facção criminosa dentro do sistema prisional.
Os principais alvos da investigação são um policial penal efetivo e uma professora contratada da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). A professora atuava em salas anexas de uma escola estadual no Centro de Ressocialização de Várzea Grande.
Ao todo, a operação cumpre oito ordens judiciais em Cuiabá: dois mandados de prisão preventiva, dois de busca e apreensão, dois bloqueios de valores e duas medidas de suspensão cautelar do exercício das funções públicas.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam se aproveitado do acesso proporcionado pelas funções públicas para facilitar a entrada de celulares e outros itens destinados a integrantes da facção.
O policial penal é investigado por supostamente cobrar entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aparelho celular introduzido no presídio. A investigação aponta ainda que ele teria utilizado a conta bancária da própria companheira para receber valores e dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.
Já a professora teria utilizado o trânsito autorizado dentro da unidade prisional para viabilizar a entrada clandestina dos aparelhos e de outros objetos.
As apurações começaram em junho de 2025, depois que a análise de materiais apreendidos identificou transferências via Pix destinadas à professora. Os pagamentos teriam sido realizados por reeducandos ou por familiares e visitantes cadastrados na unidade.
As informações coincidiram com uma denúncia que indicava a possível participação dos dois servidores no esquema.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 14,6 mil relacionados à professora e de R$ 25,5 mil vinculados ao policial penal.
Os investigados são suspeitos dos crimes de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em estabelecimento prisional e associação criminosa.
A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), com acompanhamento da Corregedoria da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
As investigações continuam para identificar possíveis outros envolvidos e esclarecer a dimensão do esquema.
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