
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), saiu em defesa de integrantes de seu grupo político nesta terça-feira (11), ao comentar os desdobramentos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante coletiva de imprensa no Palácio Paiaguás, Pivetta criticou o que considera uma espécie de condenação antecipada de pessoas que ocupam cargos públicos antes mesmo da conclusão das investigações.
A Operação Heritage apura suspeitas envolvendo mais de R$ 308 milhões relacionadas a um acordo financeiro firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).
A investigação provocou forte repercussão no cenário político mato-grossense e atingiu nomes importantes ligados ao grupo governista. Entre eles estão Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) e o então secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho Junior.
Fábio Garcia deixou a condição de candidato a vice-governador na chapa de Pivetta e decidiu voltar à disputa por uma cadeira na Câmara Federal. Já Mauro Carvalho renunciou ao comando da Casa Civil para se dedicar à sua defesa.
Questionado sobre os impactos políticos da operação, Pivetta defendeu cautela antes de qualquer julgamento definitivo sobre os envolvidos.
“Infelizmente na vida pública a gente primeiro é condenado, mesmo não devendo nada, mesmo não tendo culpa nenhuma. A gente é condenado primeiro para depois provar”, declarou.
Para sustentar sua avaliação, o governador relembrou a situação enfrentada por Mauro Mendes durante a Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal em maio de 2014.
Na época, Mendes era prefeito de Cuiabá e foi alvo de mandados de busca e apreensão. O caso chegou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal, mas não resultou em denúncia ou condenação contra ele e o inquérito acabou arquivado.
Ao recordar o episódio, Pivetta sinalizou que considera precipitado transformar medidas adotadas durante uma investigação em uma conclusão antecipada de responsabilidade.
A fala ocorre justamente em um dos momentos mais delicados enfrentados pelo grupo governista às vésperas da campanha eleitoral. Além das repercussões jurídicas da Operação Heritage, Pivetta precisou reorganizar sua chapa após a saída de Fábio Garcia da vaga de vice.
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