
O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso José Medeiros (PL) reagiu à repercussão de áudios privados divulgados nos últimos dias e afirmou que pretende pedir uma investigação envolvendo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao RepórterMT nesta terça-feira (22), Medeiros atribuiu ao ministro a responsabilidade pelo vazamento das conversas e afirmou acreditar que a divulgação ocorreu com objetivo de prejudicá-lo na reta final da campanha eleitoral.
Até o momento, porém, não foi apresentada prova pública de que Gilmar Mendes tenha sido responsável pelo vazamento das gravações.
Os áudios foram enviados por Medeiros ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), irmão de Gilmar Mendes.
Em uma das gravações, Medeiros fala sobre sua estratégia em relação ao STF e afirma que evita atacar a instituição e outros ministros, fazendo uma ressalva em relação a Alexandre de Moraes.
Outro áudio provocou ainda mais repercussão ao trazer uma declaração do candidato sobre seu próprio eleitorado, utilizando as expressões “ora para alienígena” e “bebe detergente”.
Medeiros confirmou a autenticidade das gravações, mas sustenta que as declarações foram retiradas de contexto e exploradas politicamente durante a campanha.
Ao explicar sua relação com Chico Mendes, o deputado revelou ainda que pediu ao prefeito de Diamantino que intermediasse uma audiência com Gilmar Mendes em Brasília.
Segundo Medeiros, ele havia recebido de uma liderança política a informação de que poderia ser alvo de uma operação policial supostamente determinada pelo ministro.
Preocupado com o rumor, decidiu procurar Gilmar pessoalmente para esclarecer a situação. De acordo com o relato do candidato, durante o encontro o ministro negou que houvesse qualquer operação contra ele.
Também não há, até o momento, comprovação pública de que tenha existido uma operação contra Medeiros determinada por Gilmar Mendes.
Após a divulgação dos áudios, Medeiros anunciou que pretende protocolar um pedido de investigação relacionado ao ministro.
Segundo o parlamentar, a representação deverá abordar relações empresariais e institucionais envolvendo Gilmar Mendes e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual o ministro é um dos fundadores.
Medeiros mencionou, entre outros pontos, relações envolvendo a CBF, JBS e o Fórum de Lisboa. A apresentação de um pedido de investigação, por si só, não significa comprovação de irregularidades.
O candidato afirmou que considera necessário que essas relações sejam esclarecidas e submetidas à fiscalização.
A divulgação das gravações ganhou forte repercussão política em Mato Grosso justamente na reta final da campanha para o Senado.
Medeiros sustenta que sempre direcionou suas críticas a atos individuais de ministros e não ao Supremo enquanto instituição. Ele também cita pedidos de impeachment que já apresentou contra integrantes da Corte para defender que não mudou sua postura política.
Agora, além de tentar conter o desgaste provocado pelos áudios, o candidato afirma que pretende levar formalmente às autoridades seu pedido para que as questões levantadas contra Gilmar Mendes sejam investigadas.
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