"Eles utilizam ouro como moeda de troca, para encaminhar o ouro a países vizinhos e receber de volta um entorpecente ou armamento", disse Rodrigo Vitorino, delegado da Polícia Federal.
Imagens reunidas por investigadores mostram as tentativas de intimidação dos criminosos. Segundo a Polícia Federal, vídeos mostram traficantes aparecem exibindo armamento e escoltando um trator para abrir caminho na terra indígena.
A operação apreendeu mais de 42 mil litros de óleo diesel e 153 kg de ouro, além de destruir 33 túneis, quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, mais de 800 motores e 31 máquinas de escavação.
Na última quinta-feira (25), a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um homem acusado de vender máquinas e fuzis para os traficantes.
"O armamento de grosso calibre adentrou a terra indígena a partir da presença dos faccionados. Os criminosos se utilizam de esconderijos para esconder o armamento e fugir pela mata a fim de se esvair da atuação policial", disse o delegado Rodrigo, da PF.
Impactos para o meio ambiente
Além da violência, a presença de traficantes afeta a preservação do meio ambiente, numa área que há décadas está desprotegida.
No chamado Garimpo do 4, a retirada de terra atingiu o lençol freático. O Rio Sararé também apresenta sinais de poluição provocada pela atividade.
O uso de mercúrio e cianeto deixa consequências que podem durar séculos. "Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar e permita o retorno de parte da flora e da fauna", disse Sérgio Suzuki, agente do Ibama.
"Arrebentou toda a natureza, acabou. Ficou muito difícil para a gente sobreviver", disse um indígena que não quis mostrar o rosto por motivos de segurança.
O governo do Mato Grosso disse que está construindo, em um dos acessos da Terra Indígena Sararé, uma base policial de apoio e integração entre as forças estaduais e federais. E afirmou que está à disposição para atuar em parceria com o governo federal.
Os Nambikwara buscam retomar o que tinham no passado: paz, liberdade e respeito ao território que, para eles, é sagrado.