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Beatificação de padre Nazareno Lanciotti tem programação de 3 dias de celebração

Nascido na Itália e com atuação religiosa de quase 30 anos em Mato Grosso, o sacerdote morreu na década de 90 ao ser vítima de atentado a tiros.

11/06/2026 às 07h41
Por: Redação H1MT
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A Diocese de São Luiz de Cáceres comunicou que o Cardeal Dom João Braz de Aviz, Arcebispo Emérito de Brasília, deve conduzir o ato de beatificação do padre Nazareno Lanciotti neste sábado (13), às 9h, na cidade de Jauru (MT).

A vinda de Dom João Braz de Aviz ocorre após cancelamento da viagem ao Brasil do cardeal italiano Marcello Semeraro por motivos de saúde. Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, foi nomeado pelo Papa Francisco em 2020, e lidera processos de beatificação e canonização na Igreja Católica.

o padre Evandro Stefanello, um dos organizadores do ato informou que a expectativa é que entre 10 e 15 mil pessoas participem. Haverá transmissão ao vivo pelo canal do YouTube.

Segundo ele, a maioria dos visitantes deve chegar a Jauru em caravanas e cerca de 330 voluntários são preparados para atuar na organização. Como a cidade não comporta a quantidade de visitantes, a orientação é de hospedar-se em cidades vizinhas. Uma praça de alimentação será preparada para o dia 13 e o comércio também está se organizando para fornecer alimentação.

Quem foi padre Nazareno

Nascido em 3 de março de 1940, filho do pedreiro Giacomo Lanciotti e da dona de casa Antonietta, foi ordenado sacerdote em 1966, exerceu seu ministério em Roma. Com cinco anos de ministério migrou para o Brasil como missionário em 1971, ficando alguns meses na cidade de Poxoréu (MT).

Em janeiro de 1972 deslocou-se para Jauru (MT), fronteira com a Bolívia, onde fundou um apostolado missionário na devoção à Virgem Maria.

Fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar, criou 57 comunidades eclesiais rurais com adoração eucarística diária, e liderou a construção de um hospital com 50 leitos com ajuda vinda da Europa.

O sacerdote ainda construiu a casa de repouso para idosos “Coração Imaculado de Maria”, abriu uma escola com centenas de crianças, fornecendo educação e alimentação, e instituiu um seminário menor.

Em 1987 ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano (MSM) e foi nomeado diretor nacional no Brasil, realizando viagens frequentes para organizar encontros de oração e consagração ao Imaculado Coração de Maria, acompanhando o Padre Stefano Gobbi, fundador do MSM.

Dedicou-se intensamente aos mais pobres, criou obras sociais e atuou fortemente contra injustiças, como o tráfico de drogas e a exploração da prostituição. Seu trabalho pastoral tornou-se incômodo para grupos criminosos.

Atentado e morte

Na noite de 11 de fevereiro de 2001, o padre Nazareno Lanciotti foi atingido por um tiro na nuca, durante assalto à Casa Paroquial da Igreja Nossa Senhora do Pilar. Ele foi gravemente ferido por dois criminosos encapuzados que invadiram o local.

Segundo informações veiculadas no Diário de Cuiabá, o assalto aconteceu por volta de 21 horas. O padre jantava na Casa Paroquial em companhia de alguns amigos quando a residência foi invadida pela dupla.

De acordo com as testemunhas, os homens mandaram que Nazareno abrisse o cofre da igreja. Ele argumentou que a paróquia não tinha cofre. Insatisfeitos, os assaltantes fizeram roleta-russa com os amigos do religioso mas não roubaram o dinheiro que tinham no bolso.

Um dos assaltantes disparou na nuca de Nazareno e a bala alojou-se na coluna cervical. Conforme um dos padres que estava no local, antes de atirar o assassino chegou a dizer “eu sou o demônio e você nos incomoda muito”. Segundos antes, Nazareno ofereceu a vida a Cristo e Nossa Senhora.

No dia seguinte ao crime, Nazareno foi removido de avião para o Hospital das Clínicas, em Cuiabá. No dia 13, o foi transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Sírio Libanês.

Não resistindo aos ferimentos, o sacerdote morreu aos 61 anos de idade, no dia 22 do mesmo mês, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP).

Velório e martírio

O corpo do padre Nazareno foi transladado de São Paulo para Cáceres e levado em carro aberto para a Catedral de São Luiz, onde foi celebrada missa de corpo presente. Em seguida, o corpo foi encaminhado para Jauru, onde o padre foi velado na quadra da Paróquia Nossa Senhora do Pilar.

O funeral ocorreu em 24 de fevereiro de 2001. Seu velório reúniu milhares de fiéis de várias partes de Mato Grosso. O corpo de Nazareno foi sepultado em Jauru, cidade onde viveu por quase 30 anos.

Somente um ano depois do crime dois homens apontados como matadores do padre foram presos. Um deles foi capturado em Cuiabá, e o outro preso em Goiânia (GO). Os homens foram identificados como Antônio Martins da Silva e Vanderlei de Souza.

Supostos mandantes do crime não foram identificados ou presos. Embora o crime, inicialmente tenha sido tratado como latrocínio, a população local, até hoje, acredita em crime por motivação política e religiosa, já que nada foi roubado na época.

A memória do padre segue na cidade e nos fiéis até os dias de hoje.

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