A decisão foi tomada nesta quarta-feira (6) pelo diretor da Faculdade de Direito do campus de Cuiabá, Carlos Eduardo Silva e Souza.
Em nota, a instituição afirmou repudiar “veementemente qualquer manifestação, prática ou tentativa de naturalização da violência, da misoginia e de qualquer forma de violação de direitos humanos”.
O caso veio à tona após o vazamento de mensagens trocadas entre alunos no campus.
Segundo a nota, o conjunto de fatos atribuídos ao estudante é considerado grave e inclui a produção de conteúdo misógino, como a lista de alunas classificadas como “estupráveis”, além de ameaças explícitas de violência sexual.
A universidade informou que instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos, que pode resultar na expulsão do estudante, além de tentar identificar e responsabilizar outros envolvidos.
A direção também determinou a adoção de medidas de proteção às alunas potencialmente afetadas, incluindo acompanhamento institucional e suporte durante as investigações.
O caso
A denúncia que deu origem ao episódio foi feita pelo Centro Acadêmico VIII de Abril, que representa os estudantes de Direito da UFMT. Na terça-feira (5), a entidade publicou, em rede social, uma nota de repúdio revelando o teor das mensagens, classificadas como “extremamente graves, de caráter misógino, violento e incompatível com qualquer parâmetro ético, jurídico e humano”.
O texto também rechaça qualquer tentativa de tratar os diálogos como “brincadeira”, apontando que configuram “banalização da violência sexual e objetificação das mulheres”.
A nota relembrou ainda que a universidade acumula relatos de assédio desde o ano passado, quando a trabalhadora Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, foi estuprada e assassinada dentro do campus. O corpo foi encontrado em 24 de julho de 2025, em um galpão desativado da UFMT.
Uma assembleia geral realizada na segunda-feira (4) debateu o caso e encaminhou a denúncia às autoridades universitárias.