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Despejo de 500 famílias: Justiça manda desocupar apartamentos em condomínios

Ordem judicial autoriza empresa a assumir 496 apartamentos e prevê retirada de moradores sem acordo.

17/04/2026 às 09h23
Por: Redação H1MT
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Reprodução
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A Justiça deu uma ordem nessa quinta-feira (16) para que os moradores de três condomínios, na região do Porto, em Cuiabá, entreguem 496 apartamentos à empresa Trunk Gestão Empresarial e abriu caminho para o despejo de mais de 500 famílias.

O documento, assinado pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, trata da imissão na posse dos imóveis, ou seja, autoriza oficialmente que a empresa assuma os apartamentos adquiridos em leilão judicial.

a prática, a medida permite a retirada de moradores que não firmarem acordo, inclusive com possibilidade de uso de força policial, caso haja resistência.

A determinação faz parte de um processo de falência que tramita desde 2003 e envolve o empreendimento Minas do Cuiabá, onde estão localizados os residenciais Villa das Minas e Lavras do Sutil I e II.

Ao todo, são 496 unidades habitacionais distribuídas em 31 blocos, com apartamentos ocupados por famílias que, em muitos casos, vivem no local há mais de duas décadas.

Segundo moradores, o leilão da massa falida não foi amplamente comunicado, e muitos dizem que sempre tentaram regularizar a situação dos imóveis. “Não é invasão. Todo mundo tem documento, mas nunca conseguiu regularizar”, afirmou o síndico José Carlos Bello.

A massa falida foi arrematada em 2024 por cerca de R$ 16 milhões, quando a empresa passou a reivindicar a posse das unidades.

Medo de despejo

A possibilidade de retirada tem gerado tensão entre os moradores. Muitos relatam medo de perder a única moradia após anos vivendo no local.

Há casos de famílias que nunca conseguiram pagar ou regularizar os imóveis por falta de orientação sobre quem detinha a propriedade após a falência da construtora.

A defesa da Trunk afirma que a compra foi feita de forma legal, por meio de leilão judicial com autorização da Justiça e acompanhamento do Ministério Público.

Segundo a empresa, parte dos ocupantes não possui titularidade formal dos imóveis e houve negociações irregulares ao longo dos anos. A empresa afirma que mantém abertura para acordos.

A Prefeitura de Cuiabá informou que recorreu da decisão que suspendeu a regularização fundiária e tenta reverter a medida para garantir a permanência das famílias.

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