
Uma ação policial interrompeu, na tarde de domingo (5), a distribuição de ovos de Páscoa em bairros de Campo Novo do Parecis que, segundo a Polícia Militar, tinha como objetivo fortalecer a atuação de uma facção criminosa e atrair crianças e adolescentes para atividades ilícitas.
A ocorrência foi registrada por volta das 16h45, na Avenida Getúlio Vargas, no bairro Boa Esperança. Informações levantadas pela polícia indicavam que integrantes ligados ao Comando Vermelho organizavam a distribuição de chocolates e doces também em outras regiões da cidade, como os bairros Residencial Parecis e Jardim das Palmeiras.

Durante diligências, os policiais localizaram três envolvidos realizando a entrega dos produtos em uma praça, com divisão de tarefas e abordagem direta ao público infantil. Um adulto, identificado pelas iniciais J.V., e dois adolescentes participavam da ação, inclusive utilizando fantasia para facilitar a aproximação com as crianças.

Estratégia criminosa
De acordo com a apuração, a iniciativa não tinha caráter assistencial. A suspeita é de que a distribuição funcionaria como estratégia de aproximação e cooptação de menores, o que pode configurar crimes como corrupção de menores e promoção de organização criminosa, além de possível envolvimento em atividades futuras, como o tráfico de drogas.

Na abordagem, o adulto informou que a distribuição ocorreria em outros bairros, indicando planejamento prévio e alcance mais amplo da ação. Em uma caminhonete, foram apreendidos cerca de 197 ovos de Páscoa e 142 kits de doces que seriam utilizados na continuidade da distribuição.
Risco à saúde
Outro ponto que chamou a atenção foi a origem dos produtos. Os ovos de chocolate eram de fabricação artesanal e não apresentavam qualquer tipo de identificação, rotulagem ou prazo de validade, o que pode caracterizar infração relacionada à saúde pública, por expor consumidores a risco.

Diante dos indícios, o suspeito foi preso em flagrante, e os adolescentes foram apreendidos por ato infracional análogo. Todos foram encaminhados à Polícia Civil, juntamente com o material recolhido.
O caso levanta alerta sobre a utilização de ações aparentemente solidárias como instrumento de atuação de organizações criminosas, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social, tendo crianças e adolescentes como público-alvo.
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