
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou que a TV Globo não exibisse o púlpito vazio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial desta quinta-feira (1º), já ocupou cargos no governo federal e foi nomeada para a Corte Eleitoral pelo próprio presidente.
A decisão ganhou repercussão nacional depois que a Globo cancelou o último debate presidencial antes do primeiro turno, alegando que decisões judiciais interferiram nas regras previamente acordadas com as campanhas.
Antes de chegar ao TSE, Estela Aranha foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão de Flávio Dino.
Posteriormente, tornou-se assessora especial da Presidência da República, atuando na assessoria internacional comandada pelo ex-chanceler Celso Amorim. Em 2025, também trabalhou como assessora no gabinete da Presidência do próprio TSE, então comandado pela ministra Cármen Lúcia.
Em julho de 2025, Estela foi nomeada por Lula para ocupar uma das vagas efetivas destinadas à classe dos juristas no Tribunal Superior Eleitoral. Ela tomou posse em 1º de agosto de 2025, para mandato de dois anos.
A nomeação presidencial, neste caso, faz parte do procedimento previsto para as duas cadeiras do TSE destinadas a juristas: os nomes são escolhidos pelo presidente da República a partir de listas tríplices encaminhadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A polêmica ocorreu horas antes do debate presidencial que seria promovido pela Globo.
Lula havia comunicado que não participaria do programa. Pelas regras acertadas previamente entre a emissora e as campanhas, o púlpito destinado ao candidato ausente permaneceria no cenário, identificado com seu nome.
A campanha de Lula recorreu ao TSE e Estela Aranha concedeu uma decisão de urgência impedindo a exibição do espaço vazio.
A ministra argumentou que a imagem poderia produzir efeitos que iriam além da simples informação ao eleitor sobre a ausência do candidato e apontou risco de dano a poucos dias da votação. Ela também proibiu a concessão de tempo para perguntas dirigidas a candidatos ausentes.
Além da decisão de Estela Aranha, uma determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, garantiu a participação de Renan Santos (Missão) no encontro.
Diante das alterações judiciais nas regras e na composição do programa, a Globo anunciou o cancelamento do debate. A emissora afirmou que as notificações recebidas interferiam nas condições previamente acertadas com os partidos.
O episódio provocou críticas de candidatos e colocou novamente as decisões do TSE e do STF no centro do debate político na reta final da eleição presidencial. As críticas sobre eventual favorecimento político são avaliações de candidatos e outros atores políticos; o histórico profissional de Estela Aranha e sua nomeação por Lula, por si só, não demonstram que sua decisão tenha sido motivada por vínculo político.
Mín. 20° Máx. 33°