
Na estreia da propaganda eleitoral gratuita na TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes da corrida presidencial, travaram um duelo em busca dos indecisos para mostrar quem tem mais capacidade de enfrentar os principais problemas do país.
O petista apostou na experiência e nas entregas de seu governo, enquanto o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro buscou se apresentar para além da imagem do pai, ao destacar sua trajetória política como deputado estadual e senador.
Lula, que busca o quarto mandato aos 80 anos, relembrou entregas de suas gestões e disse que chega a esta campanha “mais forte e mais preparado do que nunca” para avançar. Já Flávio, que disputa a Presidência pela primeira vez aos 45 anos, afirmou ter se preparado “a vida toda” e estar “pronto para fazer o Brasil vencer”.
As duas campanhas pretendem travar uma disputa entre experiência e energia para conduzir o Brasil nos próximos quatro anos.
Na batalha para reduzir a rejeição, o petista apostou no tom emocional com a leitura de uma carta dirigida ao Lula do passado, na qual citou a defesa da democracia e da soberania.
“Lembro como se fosse ontem: vai dar tudo certo. Não vai ser fácil, vai ter perseguição, vão atentar contra nossa soberania, vai ter gente rica torcendo para você não aguentar, mas você nunca vai abrir mão da sua dignidade. Aguenta, companheiro, que o povo vai vencer! A democracia vai voltar, vai ajudar a escrever a Constituição, vai ganhar uma, duas, três eleições para presidente e vamos ganhar mais uma”, disse o presidente.
Por sua vez, em busca da imagem de um Bolsonaro moderado e de olho no eleitorado feminino, Flávio falou das duas filhas, da mulher, Fernanda, e da mãe, a candidata a deputada federal Rogéria Bolsonaro. As quatro tiveram mais espaço na propaganda do que o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
“Todo mundo conhece meu pai. Mas minhas filhas, minha esposa e minha mãe me fizeram ser assim, do jeito que eu sou. Meu pai vivia trabalhando muito. Eu passava mais tempo com a minha mãe. Ela me passou a visão de mundo dela, o jeito dela, a sensibilidade dela”, disse.
Os dois candidatos também deram espaço à segurança pública e à economia. Flávio retratou um país dominado por facções, com empresas quebrando e famílias endividadas, e prometeu “vencer o crime”, valorizar os policiais e fortalecer as mulheres. Lula destacou a retomada de programas sociais, defendeu imposto zero e maior cobrança sobre os super-ricos e prometeu combate firme às facções e à violência contra as mulheres, além de geração de empregos, defesa da soberania e incentivo às empresas de tecnologia.
Já os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aproveitaram o espaço para tentar romper a polarização e ser notados pelo eleitor.
Caiado, que precisa vencer o desconhecimento nacional, exaltou sua biografia e os 35 anos de trajetória política e disse ter sido o primeiro a enfrentar o PT. O ex-governador usou os dois mandatos à frente de Goiás para vender a imagem de “coragem” para mudar o Brasil, citando principalmente as ações na área de segurança pública.
“A omissão, a conivência e a incompetência dos que governam este país há 20 anos trouxeram o Brasil para esta situação, em que o crime domina, você não pode andar na rua com o celular na mão e não sabe se vai conseguir pagar as contas no final do mês. Coragem para tirar o Brasil desta grave situação eu tenho”, disse Caiado.
Cury, com apenas 35 segundos na TV, começou o programa com imagens e sons de barulho, que cessaram quando ele bateu a mão no sofá em que estava sentado. A ideia foi atrair o eleitor cansado da disputa política.
“É isso que vocês querem? Mais quatro anos disso? Ou a gente para de gritar, senta, se escuta e cura este país?”, afirmou.
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