
Mesmo contando com o apoio de importantes lideranças nacionais do PL e tendo recebido publicamente o respaldo do senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Zé Medeiros (PL) ainda não conseguiu transformar o peso político de seus aliados em crescimento suficiente para se consolidar na disputa por uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado.
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta terça-feira (25), trouxe um sinal de alerta para a campanha do parlamentar. No levantamento estimulado para o Senado, Mauro Mendes (União) aparece com 24%, Janaína Riva (MDB) com 18% e Pedro Taques (PSB) alcança 8%. Zé Medeiros vem logo depois, com apenas 6%.
O resultado chama atenção principalmente porque Pedro Taques, ex-governador e ex-senador, conseguiu ultrapassar Medeiros, mesmo tendo retornado recentemente à disputa eleitoral.
Zé Medeiros aposta fortemente na identificação com o eleitorado bolsonarista para tentar chegar ao Senado. Em maio, após receber apoio de Flávio Bolsonaro durante uma agenda em Mato Grosso, Medeiros chegou a apresentar crescimento em levantamento da Percent Brasil, avançando de 3,8% para 9% no cenário de primeiro voto daquela pesquisa.
O desafio, entretanto, é transformar esse apoio político em votos suficientes para alcançar as duas primeiras colocações.
A Quaest mostra que, neste momento, Medeiros está 18 pontos atrás de Mauro Mendes e 12 pontos atrás de Janaína Riva, justamente os dois candidatos que hoje ocupam as primeiras posições no levantamento.
Mais preocupante para o deputado é o fato de Pedro Taques ter alcançado 8%, contra seus 6%.
Outros levantamentos apresentam números diferentes e impedem afirmar que Medeiros já esteja definitivamente fora da disputa.
Na pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada na segunda-feira (24), Mauro Mendes aparece com 52,3%, Janaína Riva com 33,7%, Zé Medeiros com 18,8% e Pedro Taques com 16,5%. Nesse levantamento, portanto, Medeiros ainda está numericamente à frente de Taques.
A pesquisa MT Dados de agosto também coloca Medeiros na terceira posição no resultado consolidado dos dois votos: Mauro tem 45%, Janaína 30%, Medeiros 22% e Taques 17%.
Os números mostram que existe uma diferença relevante entre os institutos, mas também revelam um problema comum para o candidato do PL: até agora, Medeiros permanece fora das duas posições que garantiriam as vagas ao Senado.
A eleição para o Senado ganhou caráter decisivo para o futuro político de Zé Medeiros.
Ao disputar uma cadeira de senador em vez da reeleição para deputado federal, Medeiros coloca em jogo sua permanência no Congresso Nacional. Caso não consiga terminar entre os dois candidatos eleitos para o Senado, seu atual mandato de deputado federal se encerra e ele poderá iniciar 2027 sem mandato eletivo.
Diante dos números atuais, esse é um risco concreto.
Mas ainda não é possível afirmar, como fato, que Medeiros “não será eleito” ou que ficará necessariamente quatro anos fora da política institucional. Pesquisas representam o cenário do momento, não o resultado das urnas, e Mato Grosso terá duas vagas para o Senado em disputa.
O que os levantamentos permitem afirmar é que, se a fotografia atual das pesquisas se confirmar nas urnas, Zé Medeiros ficará fora das duas vagas e, consequentemente, sem mandato eletivo a partir de 2027.
A ultrapassagem registrada pela Quaest também acrescenta um componente novo à disputa.
Pedro Taques, que já governou Mato Grosso e também representou o Estado no Senado, retorna ao cenário eleitoral tentando recuperar espaço político. Sua chegada à terceira colocação na Quaest amplia a quantidade de candidatos competitivos e aumenta ainda mais a pressão sobre Medeiros.
Com Mauro e Janaína ocupando as duas primeiras posições e Taques aparecendo agora à frente do candidato do PL na Quaest, Medeiros precisará encontrar uma estratégia para ampliar sua votação para além do eleitorado bolsonarista mais identificado com seu nome.
A campanha está apenas começando e ainda existe um percentual significativo de eleitores sem definição. Porém, a fotografia desta terça-feira acende um sinal amarelo para Zé Medeiros: mesmo com padrinhos políticos de peso nacional, a vaga no Senado está longe de estar assegurada — e uma derrota poderá significar sua saída de cargos eletivos ao fim do atual mandato.
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