
Mato Grosso encerrou a colheita do milho segunda safra 2025/26 com números que podem entrar para a história do agronegócio estadual. As máquinas concluíram os trabalhos em 100% dos 7,43 milhões de hectares cultivados, e a expectativa agora é pela consolidação de uma produção que poderá estabelecer um novo recorde estadual.
Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a estimativa mais recente aponta para 57,39 milhões de toneladas de milho. O resultado definitivo será divulgado no próximo relatório de Oferta e Demanda do instituto.
A área cultivada nesta temporada cresceu 2,41% em relação à safra anterior e ficou 7,53% acima da média dos últimos cinco anos.
Além da expansão da área, a produtividade também teve papel fundamental. O Imea estima rendimento médio de 128,67 sacas por hectare.
Com essa combinação, a produção projetada de 57,39 milhões de toneladas representa crescimento de aproximadamente 3,53% sobre a temporada passada e, se confirmada, estabelecerá novo recorde na série histórica do instituto.
As condições climáticas contribuíram para o desempenho das lavouras em boa parte de Mato Grosso.
O prolongamento das chuvas durante o ciclo favoreceu o desenvolvimento do milho e ajudou a preservar um elevado potencial produtivo. Já durante a retirada dos grãos, a redução das precipitações permitiu que as máquinas avançassem e concluíssem os trabalhos sem atraso em relação à temporada anterior.
A região Sudeste foi a que apresentou maior lentidão. Em algumas áreas, o atraso na colheita da soja fez com que parte do milho fosse semeada fora da janela considerada ideal, aumentando a exposição das lavouras à estiagem. Mesmo assim, a região atingiu 100% da colheita em 21 de agosto.
Enquanto algumas regiões ainda mantinham máquinas no campo, outras já haviam encerrado os trabalhos.
As regiões Norte, Nordeste, Noroeste e Oeste alcançaram 100% da área colhida em 7 de agosto. O Médio-Norte, que apresentou um dos ritmos mais acelerados durante a temporada, também concluiu os trabalhos nessa data.
O resultado reforça novamente a importância das grandes regiões produtoras do interior para o desempenho econômico de Mato Grosso.
O tamanho da safra também mostra uma transformação importante dentro da economia estadual.
O milho deixou de ser apenas uma cultura complementar à soja e ganhou protagonismo com o crescimento das usinas de etanol de milho, produção de proteína animal e outros segmentos consumidores do cereal dentro do próprio estado.
Para a temporada 2025/26, a demanda interna de milho em Mato Grosso é estimada pelo Imea em 22,1 milhões de toneladas, crescimento de 9,1%.
Isso significa que uma parcela cada vez maior da produção pode ser transformada dentro do próprio estado, agregando valor ao grão e movimentando novas cadeias econômicas.
Se por um lado os números demonstram a capacidade produtiva do campo mato-grossense, por outro aumentam novamente a discussão sobre um velho desafio: como transportar uma safra cada vez maior?
Rodovias, ferrovias, capacidade de armazenagem e corredores de exportação precisam acompanhar o crescimento registrado dentro das propriedades.
Produzir mais de 57 milhões de toneladas de milho em uma única temporada demonstra a dimensão alcançada pelo agronegócio de Mato Grosso. Mas transformar sucessivos recordes de produção em maior competitividade exige que os investimentos fora da porteira avancem no mesmo ritmo das lavouras.
Com os 7,43 milhões de hectares totalmente colhidos, Mato Grosso agora aguarda os números definitivos.
Se as projeções do Imea forem confirmadas, o estado encerrará a safra 2025/26 com mais uma marca histórica: 57,39 milhões de toneladas de milho e um novo recorde de produção.
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