
A campanha eleitoral começa a ganhar volume em Mato Grosso e, na região Noroeste, um nome passa a ocupar espaço na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa: Rafael Machado (Podemos). Ex-prefeito de Campo Novo do Parecis por dois mandatos, ele entrou na corrida eleitoral defendendo uma bandeira clara: dar voz e representatividade política a uma região que cresceu economicamente, mas que ainda busca ampliar seu espaço nas decisões do Estado.
O discurso encontra terreno principalmente quando se compara o desenvolvimento político de diferentes regiões de Mato Grosso.
Ao longo dos últimos anos, municípios do eixo Norte, especialmente aqueles localizados ao longo da BR-163, conseguiram construir uma forte articulação regional. Lideranças políticas, empresariais e entidades passaram a defender conjuntamente grandes pautas de infraestrutura e desenvolvimento. Essa união ajudou a região a conquistar investimentos, obras e maior influência política no cenário estadual.
No Noroeste, apesar da força do agronegócio, da produção de riquezas e do crescimento de cidades importantes, a ausência de uma representação política regional mais consolidada na Assembleia Legislativa é apontada como um dos fatores que dificultaram a construção de uma agenda conjunta.
É justamente nesse espaço que Rafael Machado pretende se posicionar.
Campo Novo do Parecis, Sapezal, Brasnorte, Juína e municípios do entorno formam uma região estratégica para Mato Grosso, tanto pela produção agrícola quanto pelo potencial mineral, turístico e econômico.
Entretanto, na avaliação defendida durante a campanha de Rafael Machado, produzir riqueza não é suficiente. É necessário também possuir força política para transformar demandas regionais em prioridades dentro do Governo e da Assembleia Legislativa.
Estradas, saúde regionalizada, logística, infraestrutura, desenvolvimento econômico e investimentos públicos são pautas que ultrapassam as fronteiras de cada município e dependem de articulação política.
A proposta é fazer com que o Noroeste avance seguindo um caminho semelhante ao observado no Norte mato-grossense: municípios unidos em torno de interesses comuns e com representantes capazes de defender essas pautas em Cuiabá.
Um dos principais argumentos apresentados pela candidatura está no histórico administrativo de Rafael Machado.
O jovem político comandou Campo Novo do Parecis durante oito anos, período em que o município atravessou um ciclo de crescimento, expansão urbana e atração de novos investimentos.
A experiência como prefeito permitiu que Rafael construísse relacionamento institucional dentro e fora de Mato Grosso. Além da gestão municipal, ele passou a ocupar espaço no movimento municipalista brasileiro e chegou à vice-presidência da Confederação Nacional de Municípios (CNM) pela região Centro-Oeste.
Esse histórico é utilizado agora como credencial para uma nova etapa da vida pública.
Se antes o desafio era administrar um município, Rafael tenta convencer o eleitor de que chegou o momento de utilizar a experiência adquirida na Prefeitura para representar uma região inteira.
Com o início oficial da campanha, a candidatura começa a intensificar agendas, reuniões, visitas e articulações nos municípios.
O movimento observado nas primeiras semanas coloca Rafael Machado entre os nomes que buscam consolidar uma candidatura regional competitiva. A estratégia passa justamente por evitar uma campanha limitada a Campo Novo do Parecis e ampliar a presença em cidades do Noroeste e de outras regiões do Estado.
A candidatura trabalha com a avaliação de que existe possibilidade real de eleição, especialmente se conseguir transformar o sentimento de falta de representatividade regional em concentração de votos em torno de um nome.
Esse será também um dos grandes desafios da campanha.
Historicamente, regiões sem candidaturas consolidadas acabam distribuindo seus votos entre dezenas de candidatos de outras partes do Estado. O resultado é que possuem grande número de eleitores, mas pouca capacidade de transformar esses votos em representação parlamentar própria.
Rafael tenta mudar essa lógica.
Embora sua principal base eleitoral esteja em Campo Novo do Parecis, Rafael Machado já começa a se movimentar como um personagem do cenário estadual.
A participação na Confederação Nacional de Municípios, o relacionamento construído com prefeitos e lideranças e os oito anos à frente de uma das principais cidades do Chapadão do Parecis contribuíram para ampliar seu alcance político.
Agora, a eleição será o teste dessa construção.
A pergunta que começa a ganhar espaço na região é se o Noroeste conseguirá fazer aquilo que outras regiões de Mato Grosso fizeram ao longo das últimas décadas: transformar força econômica em força política.
A eventual chegada de Rafael Machado à Assembleia também representaria uma renovação no quadro político estadual.
A ALMT exerce papel fundamental na discussão do orçamento estadual, fiscalização do Executivo e articulação de investimentos para os municípios. Por isso, possuir um deputado comprometido diretamente com as demandas regionais pode significar maior capacidade de interlocução com o Governo do Estado.
Para o Noroeste, essa renovação pode representar a oportunidade de colocar antigas demandas novamente no centro das discussões.
Mais do que uma disputa individual por uma cadeira, Rafael tenta construir sua candidatura em torno de uma mensagem regional: o Noroeste precisa se unir para ter voz.
A região já demonstrou sua capacidade de produzir, crescer e gerar riqueza. Agora, a campanha de Rafael Machado tenta convencer o eleitor de que chegou a hora de transformar esse protagonismo econômico em representação política.
Com a campanha começando a ganhar corpo e o candidato ampliando sua presença nos municípios, Rafael Machado entra na fase decisiva da disputa buscando deixar de ser apenas uma liderança de Campo Novo do Parecis para se consolidar como o candidato de uma região que quer voltar a ocupar espaço nas grandes decisões de Mato Grosso.
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