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Fim da 6x1 sem transição gradual pressiona inflação e Selic

Índice de serviços já opera em níveis elevados e Banco Central já enxerga menos espaço para corte de juros por conta da guerra no Oriente Médio

14/06/2026 às 12h41
Por: Redação H1MT
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Fim da 6x1 sem transição gradual pressiona inflação e Selic

Ao avaliar o fim da escala de trabalho 6x1, o economista e relações institucionais da Polo Capital, Arnaldo Lima, avaliou que uma transição repentina no modelo de trabalho pode pressionar ainda mais a inflação e a taxa de juros. 

Sem um prazo de transição adequado, os custos da mudança devem pesar para o setor produtivo e podem ser repassados para os consumidores. Isso porque as empresas terão de arcar com o pagamento de horas extras aos empregados atuais ou a contratar novos trabalhadores para suprir a redução das horas trabalhadas.

"O fim da escala 6x1 terá impacto natural, principalmente num momento em que o BC tem dificuldade de reduzir os juros e a inflação de serviços pressiona".

O especialista alerta principalmente para a inflação de serviços, que já opera em níveis elevados, próximo de 6% nos últimos 12 meses, tendo apresentado aceleração de 0,40% em maio.

Além disso, o cenário macroeconômico atual já traz outras dificuldades ao trabalho do BC como, por exemplo, a guerra no Oriente Médio, que elevou os custos dos combustíveis e fertilizantes, pressionando os juros. Em seu último Boletim Focus, a autoridade monetária já identificou um menor espaço para a redução da Selic este ano.

Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indica que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos.

Para o economista, o Brasil deve focar antes em elevar a produtividade dos trabalhadores. Ele destacou que esse índice no Brasil cresce abaixo na comparação com outras economias emergentes, como é o caso da Rússia.

Ainda segundo Lima, os trabalhadores devem ser empoderados para que possam fortalecer as relações de trabalho e definir questões de jornada através de acordos e convenções.

Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC (proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6x1. A proposta foi aprovada por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 votos a 19. O texto aguarda agora análise do Senado.

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