
Um dia após o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, parlamentares e partidos de oposição anunciaram uma ofensiva judicial contra o evento, com ao menos 12 ações para questionar a apresentação.
As iniciativas citam possíveis casos de propaganda antecipada, abuso de poder político e econômico, uso indevido de recursos públicos e até alegações de preconceito religioso contra evangélicos retratados no enredo, levando o caso para além da Justiça Eleitoral. Veja abaixo as ações previstas:
Intitulado "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente da República desde a saída de Garanhuns, no agreste de Pernambuco, sua vinda para São Paulo com a família, os tempos de líder sindical e sua chegada ao Planalto.
Lula acompanhou o desfile direto da Marquês de Sapucaí, no camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
O desfile também fez críticas a opositores do presidente. Logo no início, foi mostrado o ex-presidente Michel Temer (MDB) "roubando" a faixa presidencial de Dilma. Depois, Lula é preso e Temer passa a faixa ao palhaço Bozo (personagem famoso dos anos 1980), que estaria representando Jair Bolsonaro (PL).
Em nota, o Partido dos Trabalhadores afirma que o samba-enredo apresentado é "manifestação típica da liberdade de expressão artística e cultural" garantida pela Constituição.
"A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula", afirmam.
Ainda segundo o partido, não houve pedido de voto durante o desfile, o que afasta a possibilidade de acusação por propaganda eleitoral antecipada e a discussão sobre inelegibilidade de Lula.
"O Partido dos Trabalhadores reafirma que atua em estrita observância à legislação eleitoral, tendo orientado previamente seus filiados e apoiadores quanto às regras aplicáveis ao período de pré-campanha", argumenta a legenda.
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