
A declaração do presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, de que o partido seria o único representante legítimo da direita no Estado provoca mais ruído do que consenso no cenário político. Ao sustentar que outras siglas tentariam apenas “passar verniz” para parecerem conservadoras, Ananias adota um discurso que ignora a pluralidade de ideias e trajetórias políticas que compõem o campo da direita mato-grossense.
Mato Grosso possui um eleitorado majoritariamente conservador, é verdade, mas reduzir esse espectro a um único partido soa mais como estratégia retórica do que como leitura fiel da realidade. Ao longo dos últimos anos, diferentes legendas e lideranças de direita ou centro-direita governaram, elegeram bancadas expressivas e construíram capital político no Estado, muitas vezes com respaldo popular e resultados administrativos reconhecidos.
Ao afirmar que “direita é PL”, Ananias acaba simplificando um debate que, na prática, é bem mais complexo. A direita brasileira — e mato-grossense — não é homogênea: abriga liberais, conservadores, ruralistas, municipalistas e gestores pragmáticos que nem sempre estão alinhados a um único partido, mas que dialogam com valores semelhantes aos defendidos pelo eleitorado conservador.
Além disso, o discurso de exclusividade pode afastar aliados potenciais e reforçar a polarização interna no próprio campo ideológico, num momento em que articulação e amplitude costumam pesar mais do que a retórica do confronto. Em vez de fortalecer o debate sobre propostas, a narrativa do “monopólio da direita” tende a empobrecer a discussão e transformar a eleição em uma disputa de rótulos.
Em um Estado politicamente maduro e atento aos resultados concretos, o eleitor tende a olhar menos para slogans e mais para a capacidade de diálogo, experiência administrativa e projetos viáveis. Nesse contexto, afirmar que apenas um partido detém a “verdadeira” direita pode ser menos um sinal de força e mais um indício de fragilidade no discurso político.
O que vale lembrar é que o PL já esteve em palanques de esquerda, e hoje por ter Bolsonaro em seu partido se diz de direita,e se o capitão saísse do PL, o partido continuaria de extrema direira? Ou se renderia aos braços de quem já lhe abraçou.
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