
“Estou precisando de socorro”. Foi assim, sem rodeios, que a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), resumiu a gravidade da crise hídrica que atinge o município a décadas. A gestora admite que não dará conta de solucionar o problema sozinho, especialmente por conta da deficiência financeira da cidade industrial, e não se opõe a intervenção estadual no Departamento de Água e Esgoto (DAE), sugerida pelo Tribunal de Contas do Estado.
Segundo Moretti, o município aguarda o relatório contratado junto a um instituto especializado de São Paulo para definir o futuro do DAE, que pode ser privatizado, vendido ou concedido à iniciativa privada, nos moldes do que ocorreu em Cuiabá.
“Estamos avaliando tudo. Pode ser privatização, venda ou concessão por alguns anos. Enquanto isso, estamos ampliando reservatórios, aumentando a adutora, instalando bombas e consertando redes”, afirmou.
A prefeita também comentou a recomendação feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que sugeriu ao governo avaliar uma intervenção no DAE diante da incapacidade técnica e financeira do município em resolver a distribuição de água.
“A intervenção fica a critério do governador e da Assembleia Legislativa, claro. Mas eu preciso de recursos. Se os recursos vierem via intervenção, eu agradeço”, afirmou Moretti.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, informou que vai pedir ao Ministério Público (MPMT) que acione a Justiça para determinar a intervenção do Governo do Estado no DAE. A decisão foi aprovada por unanimidade em novembro, depois que a análise das contas anuais de gestão da autarquia apontou grave descontrole fiscal, financeiro, contábil e administrativo.
No entanto, o MPMT informou que ainda não recebeu a representação do TCE sobre o tema.
Enquanto o impasse permanece, moradores seguem convivendo com longos períodos sem abastecimento. A aposentada Maria Martins de Oliveira relatou à reportagem que passa dias sem água até para tarefas básicas.
Falta água constantemente e eles [gestão municipal] falam que não podem fazer nada. Uma hora é a bomba que estraga e é assim. Sempre tem uma desculpa, mas nunca uma solução”.
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