
A partir do dia 11 de janeiro, a gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis, passará para o Instituto São Lucas, por meio do Hospital Regional Hilda Strenger Ribeiro, em um contrato que, segundo informações divulgadas por outros veículos de comunicação, terá duração de cinco anos e valor próximo de R$ 150 milhões — sem processo de licitação.
A contratação ocorreu por meio de decreto de crise na saúde, editado pelo prefeito Edilson Piaia (PL), mecanismo que permite, em situações emergenciais, a dispensa de licitação. No entanto, o caso vem gerando questionamentos jurídicos e administrativos, especialmente pelo volume financeiro envolvido e pelo prazo contratual, considerado longo para um contrato emergencial.
A reportagem do Hora 1 Mato Grosso tentou contato com a secretária municipal de Saúde, Cleide Anzil, para esclarecimentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A assessoria de comunicação da Prefeitura informou que as informações seriam repassadas pelo secretário de Administração, que, por sua vez, direcionou novamente a demanda à Secretaria de Saúde, sem resposta objetiva.
Além disso, em consulta ao Diário Oficial do Estado, até o momento não consta a publicação do contrato, o que reforça o clima de incerteza em torno da legalidade e da transparência do processo.
Outro ponto que preocupa é a dificuldade da própria Prefeitura em encontrar servidores para atuar como fiscais do contrato — função obrigatória por lei para acompanhar, auditar e validar a execução do acordo. Segundo apurado pela redação, ninguém quer assumir a responsabilidade, diante do formato como a contratação foi feita, definida nos bastidores como um “canetaço” do prefeito Edilson Piaia.
A ausência de licitação, o alto valor do contrato, a falta de publicação oficial e a resistência interna para fiscalizar o acordo ampliam a pressão para que órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, acompanhem de perto a operação.
A saúde pública, que já enfrenta graves dificuldades em Campo Novo do Parecis, entra em 2026 sob um cenário de incerteza, judicialização iminente e desconfiança da população.
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