
Um vídeo que viralizou nas redes sociais do Instagram, publicado pelo perfil @h1matogrosso, reacendeu um debate delicado e polêmico em Mato Grosso: a cobrança de pedágio em uma rodovia estadual que corta a Terra Indígena Pareci, entre Campo Novo do Parecis e Sapezal.
As imagens mostram a revolta de um caminhoneiro, abordado durante a passagem pela rodovia, ao ser informado de que deveria pagar R$ 50,00 para seguir viagem. No local, segundo o vídeo, a taxa cobrada varia conforme o tipo de veículo: R$ 10 para motocicletas, R$ 20 para carros e R$ 50 para caminhões.
A prática, de acordo com relatos, não é recente. Há anos, indígenas da etnia Pareci realizam a cobrança de valores para permitir a passagem de veículos pela estrada que atravessa o território indígena. O tema, no entanto, voltou ao centro do debate após a ampla repercussão do vídeo, que gerou centenas de comentários de apoio ao caminhoneiro e críticas à situação.
O principal questionamento levantado pela população é sobre a legalidade da cobrança, uma vez que a rodovia é custeada, mantida e conservada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, com recursos públicos. Para muitos usuários da via, se a estrada é estadual e mantida com dinheiro dos contribuintes, não haveria respaldo para a cobrança de um pedágio paralelo.
Por outro lado, defensores da prática argumentam que a estrada passa por terra indígena demarcada, o que envolve direitos territoriais assegurados pela Constituição Federal, abrindo espaço para interpretações jurídicas distintas sobre o uso e a exploração da área.
O fato é que a situação tem provocado indignação crescente, especialmente entre caminhoneiros e trabalhadores que utilizam a rodovia com frequência para escoamento da produção agrícola. Nas redes sociais, o tema ganhou força, com usuários cobrando posicionamento do Governo do Estado, do Ministério Público, da Funai e dos órgãos responsáveis pela infraestrutura viária.

Até o momento, não houve manifestação oficial esclarecendo se a cobrança possui amparo legal ou se configura uma irregularidade. Enquanto isso, a população segue dividida entre o respeito aos direitos indígenas e a defesa do livre direito de ir e vir em rodovias públicas.
A polêmica evidencia a necessidade de diálogo, transparência e definição jurídica clara, para evitar conflitos, garantir segurança aos usuários da via e respeitar tanto os direitos dos povos indígenas quanto dos contribuintes mato-grossenses.
Mín. 21° Máx. 29°