
Lucas França Rodrigues, 22 anos, teria matado a esposa, Ana Paula Abreu Carneiro de Oliveira, 33, por causa de uma discordância religiosa. A informação é da delegada Renata Evangelista, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Sinop (a 480 km de Cuiabá), cidade em que o crime ocorreu. Segundo Evangelista, o casal teria discutido na noite anterior ao fato e isso motivou o criminoso a matar a própria esposa.
“A fala dele é de que ele está estudando escatologia. Indaguei a ele o que seria isso e ele disse que é uma doutrina que estuda o fim dos tempos e que, no dia anterior [ao crime], ele tinha tido uma discussão com a então esposa por conta dela ser contra ele ser tão envolvido com esse tipo de doutrina”, explicou a delegada em coletiva à imprensa dada nessa segunda-feira (25).
No depoimento prestado na delegacia, Lucas afirmou que o assassinato de Ana Paula foi motivado pela discussão entre o casal, já que a esposa havia discordado de sua dedicação ao estudo da “escatologia”. De acordo com o feminicida, a insistência dele no tema incomodava a vítima e esse teria sido o estopim para a violência.
No interrogatório, o assassino também contou que pretendia tirar a própria vida depois de matar a esposa. Ele relatou que chegou a colocar a faca no pescoço e ingerir um coquetel de medicamentos, mas acabou desistindo. Horas depois do crime, Lucas tirou fotos da esposa morta e enviou para os familiares, o que levou a denúncia à Polícia Militar e resultou na sua prisão em flagrante.
"A ideia dele era se matar depois, ele chegou até a colocar a faca no pescoço e tomar um coquetel depois da prática do crime. Depois de várias horas, ele tirou fotos da vítima já sem vida e encaminhou para os familiares, quando então tomou conhecimento da prática do crime", citou a delegada.
Lucas reconheceu que a brutalidade do crime poderia ter levado vizinhos a ouvir os gritos de Ana Paula, caso houvesse alguém em casa no momento. Segundo ele, a vítima certamente imploraria por socorro, mas como as residências próximas estavam vazias, o ataque terminou sem que ninguém percebesse.
"Ele deu sorte nesse sentido, de as casas estarem vazias, porque um crime brutal como esse, de mais de 20 facadas, o certo é que ela gritasse, implorasse por socorro”, afirmou.
Esquizofrenia
O pai de Lucas compareceu à delegacia e entregou um laudo atestando que o filho teria esquizofrenia e já teria passado por clínicas psiquiátricas em anos anteriores. A polícia, porém, ainda vai investigar a procedência dessas informações.
“Isso tudo precisa ser averiguado. Não foram trazidos documentos, apenas laudos com relação a isso”, frisou a delegada.
Lucas teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e segue detido.
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