O Paraguai enfrenta uma grave crise política e financeira após a destituição e prisão do presidente Santiago Peña, ocorridas em menos de 48 horas. O Senado paraguaio aprovou o impeachment do chefe de Estado na sexta-feira (6), e poucas horas depois ele foi detido por determinação do Ministério Público.
A crise teve início após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida, anunciada na terça-feira (3), provocou o bloqueio de contas de aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso aos próprios recursos.
Segundo as autoridades, a instituição apresentava problemas de solvência relacionados à concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao banco.
Impeachment aprovado por 44 votos
O processo de impeachment avançou rapidamente no Congresso paraguaio. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra Peña por 78 votos favoráveis e nenhum contrário.
Antes da votação, o presidente havia anunciado sua renúncia, alegando que pretendia preservar a estabilidade institucional do país. Entretanto, parlamentares defenderam a continuidade do processo de impeachment.
Na sexta-feira (6), o Senado aprovou a destituição de Santiago Peña por 44 votos favoráveis e uma abstenção, encerrando seu mandato presidencial, iniciado em 2023.
Ex-presidente é colocado em prisão domiciliar
Poucas horas após perder o cargo, Peña foi detido por agentes da polícia paraguaia, por volta das 20h20 de sexta-feira.
O Ministério Público também determinou a prisão do ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas à crise financeira.
Santiago Peña foi colocado em prisão domiciliar em sua residência, na capital Assunção, sob monitoramento policial. Inicialmente, não foi determinada a utilização de tornozeleira eletrônica.
Entre as possíveis irregularidades investigadas estão abuso de confiança, tráfico de influência e suspeitas de favorecimento envolvendo a instituição financeira.
Peña nega ter cometido irregularidades. As acusações criminais ainda dependem de formalização e análise pela Justiça.
Ligação com banco está no centro das investigações
O Ueno Bank pertence ao Grupo Vázquez, do qual Santiago Peña foi acionista até março de 2025.
A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos vinculados à previdência social paraguaia.
Parlamentares da oposição acusam o ex-presidente de possível conflito de interesses, manipulação de regras financeiras e irregularidades envolvendo recursos previdenciários.
As suspeitas estão sendo investigadas pelas autoridades paraguaias.
Pedro Alliana assume a Presidência
Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai na noite de sexta-feira.
Alliana deverá concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em 2028.
Em seu primeiro pronunciamento, o novo presidente anunciou medidas para atender os clientes prejudicados pela crise do Ueno Bank, com prioridade para os poupadores em situação de maior vulnerabilidade.
A crise representa um dos episódios políticos mais significativos da história recente do Paraguai, envolvendo simultaneamente a queda de um presidente, investigações criminais e uma crise bancária que atingiu milhões de pessoas.