Política NO SENADO
Senado aprova PEC da Segurança Pública, mas deixa redução da maioridade penal de fora
Proposta prevê medidas mais rigorosas contra facções criminosas, maior integração entre as forças policiais e ampliação das atribuições da PRF. Redução da maioridade penal será discutida separadamente.
04/11/2026 07h19
Por: Redação H1MT
Reprodução

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto estabelece mudanças na estrutura de combate à criminalidade no Brasil, mas deixou de fora a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

A decisão de separar o tema foi aprovada por 38 votos a 36, com uma abstenção. Com isso, as propostas relacionadas à responsabilização criminal de adolescentes continuarão tramitando de forma independente no Congresso Nacional.

A PEC da Segurança recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem votos contrários. O texto segue agora para promulgação pelo Congresso.

Redução da maioridade penal fica para outra discussão

Durante a tramitação, duas propostas sobre a maioridade penal foram apresentadas.

Uma delas, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), prevê reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e estabelecer responsabilização a partir dos 14 anos para crimes como homicídios classificados como hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo.

Outra proposta, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), prevê a redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos.

Entretanto, nenhuma das duas foi incorporada à PEC aprovada. Os textos deverão passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguir tramitação própria.

Facções criminosas poderão enfrentar regras mais rigorosas

Entre os principais pontos da PEC está a previsão de um tratamento penal mais rigoroso para integrantes e lideranças de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

A proposta abre caminho para medidas como cumprimento de penas em unidades de segurança máxima, restrições à progressão de regime e ao acesso a benefícios, além do confisco de bens relacionados às atividades criminosas.

Essas medidas, porém, ainda dependerão de regulamentação por meio de legislação específica.

Mudanças nas polícias e maior integração nacional

A PEC também inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal, buscando ampliar a integração entre União, estados e municípios.

A proposta prevê maior compartilhamento de informações, operações conjuntas e cooperação entre as forças de segurança.

Outra mudança permite que municípios criem polícias de natureza civil, com atuação ostensiva e comunitária, desde que cumpram requisitos legais e financeiros.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também poderá ter suas atribuições ampliadas, passando a atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias.

Financiamento da segurança pública

O texto aprovado mantém a previsão de utilização de recursos do superávit do Fundo Social do pré-sal para investimentos em segurança pública.

Por outro lado, foi retirada da proposta a previsão de destinar parte da arrecadação das apostas esportivas, conhecidas como bets, ao setor.

PEC segue para promulgação

Com a aprovação nos dois turnos do Senado, a PEC da Segurança Pública segue para promulgação em sessão do Congresso Nacional.

Já a discussão sobre a redução da maioridade penal continuará separadamente, sem prazo definido para uma decisão final.

A aprovação representa uma mudança na organização constitucional da segurança pública brasileira, enquanto a aplicação de diversas medidas dependerá de novas leis e regulamentações.