O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Waldir Júlio Teis, determinou a exoneração de 16 servidores ocupantes de cargos comissionados que foram alvos da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal no dia 29 de outubro.
As exonerações foram publicadas no Diário Oficial de Contas nesta terça-feira (3), com efeitos a partir da mesma data.
A decisão ocorre após o afastamento de integrantes da administração do Tribunal por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em meio às investigações sobre possíveis desvios de recursos públicos.
Exonerações atingem cargos estratégicos
Entre os servidores exonerados estão consultores jurídicos, assessores da Presidência, secretários executivos, chefes de gabinete e responsáveis por setores administrativos e financeiros.
Dos 16 servidores, cinco tiveram prisão preventiva decretada e outros 11 foram afastados cautelarmente de suas funções, conforme informações divulgadas sobre a operação.
Entre os nomes estão Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, então consultor jurídico-geral; Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico; Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência; e Roseli Loss, chefe de gabinete do conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida.
Investigação aponta R$ 75,8 milhões em movimentações suspeitas
A Operação Tomada de Contas investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos administrativos, pagamentos e movimentações financeiras dentro do Tribunal.
Segundo as investigações da Polícia Federal, empresas fornecedoras teriam sido pressionadas por meio da suspensão de contratos, sob a justificativa de dificuldades orçamentárias.
Outra frente da investigação apura suspeitas de repasses irregulares de recursos, saques em dinheiro e movimentações incompatíveis com os valores oficialmente declarados.
De acordo com os dados apresentados na investigação, foram identificados aproximadamente R$ 75,85 milhões em movimentações financeiras suspeitas durante 294 dias de 2025.
A Justiça também autorizou medidas de bloqueio patrimonial que podem alcançar R$ 145 milhões.
Os valores são objeto de investigação e não representam, por si só, a comprovação definitiva de desvio de recursos.
Ex-presidente do TCE foi preso
A operação também resultou na prisão preventiva do então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, além de medidas cautelares contra outros integrantes da Corte de Contas.
Entre os conselheiros atingidos por decisões judiciais estão Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar.
Com o afastamento de Sérgio Ricardo, Waldir Teis assumiu a presidência do Tribunal e iniciou mudanças na estrutura administrativa da instituição.
Tribunal passa por reorganização administrativa
As exonerações representam uma das primeiras medidas adotadas por Waldir Teis após assumir o comando do TCE-MT.
A nova administração terá o desafio de reorganizar setores atingidos pelas decisões judiciais e garantir a continuidade dos serviços de fiscalização e controle das contas públicas.
As investigações da Polícia Federal continuam, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.