Política NO CONGRESSO
Câmara articula mudança no sistema eleitoral que pode reduzir influência de puxadores de votos como Nikolas Ferreira
Proposta de voto distrital misto prevê mudanças nas eleições de deputados a partir de 2030 e divide partidos do Congresso Nacional.
03/11/2026 07h29
Por: Redação H1MT
Reprodução

A Câmara dos Deputados articula uma mudança no sistema eleitoral brasileiro que poderá alterar a forma como deputados federais, estaduais e vereadores são eleitos. A proposta, discutida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende substituir o atual modelo proporcional de lista aberta pelo chamado voto distrital misto.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira (3), um dos objetivos da articulação é reduzir o efeito dos chamados "puxadores de votos", candidatos que recebem votações expressivas e contribuem para a eleição de outros integrantes de seus partidos.

Entre os exemplos estão os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos nas eleições de 2026, contribuindo para ampliar a representação do Partido Liberal na Câmara.

Entenda o que pode mudar

Atualmente, o Brasil utiliza o sistema proporcional de lista aberta. Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas são somados para definir quantas cadeiras cada partido terá direito.

Assim, um candidato com votação elevada pode contribuir para que outros integrantes da mesma legenda sejam eleitos, mesmo recebendo individualmente menos votos.

A proposta em discussão prevê uma mudança gradual no sistema eleitoral.

Para 2030, uma das possibilidades é a adoção de um modelo de transição baseado no chamado "distritão", em que os candidatos mais votados individualmente conquistariam as vagas, sem a transferência de votos para outros concorrentes.

Já em 2034, a previsão discutida é implementar definitivamente o voto distrital misto. Nesse formato, metade das cadeiras seria preenchida por representantes eleitos diretamente em distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos.

O eleitor passaria a ter dois votos: um para escolher o representante de seu distrito e outro para definir sua preferência partidária.

Proposta divide partidos políticos

A discussão ganhou força após as eleições de outubro de 2026, quando o PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

Partidos como PP, União Brasil, PSD e Republicanos participam das articulações favoráveis à mudança. Já o PL e setores do PT manifestaram resistência à proposta.

Entre os defensores da alteração estão os presidentes nacionais do PSDB, Aécio Neves, e do PSD, Gilberto Kassab.

Os defensores do voto distrital misto argumentam que o modelo pode aproximar os parlamentares das regiões que representam. Por outro lado, críticos apontam preocupações com a representação de partidos menores e com o poder das direções partidárias na definição das listas de candidatos.

Mudança ainda depende do Congresso

Hugo Motta pretende avançar com a discussão ainda em 2026. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) é apontado como possível relator da matéria em plenário.

Por envolver mudanças constitucionais, a proposta deverá passar pela análise e votação do Congresso Nacional, respeitando os requisitos necessários para aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Até o momento, não existe definição sobre a aprovação do novo modelo, e os detalhes da proposta continuam em negociação.

Caso seja aprovada, a reforma poderá representar uma mudança significativa nas regras eleitorais brasileiras e na forma de composição do Poder Legislativo.