O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, preso preventivamente durante a Operação Tomada de Contas, está custodiado em uma sala especial improvisada na sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá.
A estrutura foi preparada para atender às garantias legais asseguradas ao conselheiro, que possui prerrogativas equivalentes às de integrantes da magistratura durante a prisão provisória.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), o espaço possui aproximadamente 40 metros quadrados, com oito metros de comprimento e cinco metros de largura.
O ambiente é dividido em três partes: um quarto com janela, um banheiro anexo e uma antessala.
A acomodação também conta com uma televisão levada pela família do conselheiro. Entretanto, Sérgio Ricardo não poderá utilizar telefone celular nem acessar a internet durante o período de custódia.
As visitas deverão respeitar horários previamente estabelecidos, e o conselheiro terá direito ao banho de sol, conforme as regras aplicáveis à prisão.
A sala foi improvisada porque Cuiabá não dispõe de uma estrutura adequada de Sala de Estado-Maior, modalidade de custódia prevista para determinadas autoridades e profissionais que possuem prerrogativas legais.
Diferentemente de uma cela convencional, a Sala de Estado-Maior não possui grades nas portas ou janelas e deve oferecer condições adequadas de acomodação, mantendo o preso separado da população carcerária comum.
O direito à acomodação especial não significa liberdade ou flexibilização da prisão preventiva. Sérgio Ricardo permanece sob custódia por determinação judicial, sujeito às restrições estabelecidas pelas autoridades.
A prisão do presidente do TCE-MT foi mantida após audiência de custódia realizada na quinta-feira (29), quando outros cinco investigados também tiveram suas prisões preventivas mantidas.
Entre eles estão Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke, encaminhados à Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Já Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente do Tribunal, foi encaminhada à unidade prisional feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
O sexto investigado é Adriangelo Barros Antunes, preso em São Paulo, conforme informações divulgadas pela imprensa.
A Operação Tomada de Contas foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (29), com o objetivo de investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, favorecimento de empresas e irregularidades em contratos administrativos do TCE-MT.
De acordo com as investigações, foram identificadas movimentações financeiras consideradas suspeitas que somam aproximadamente R$ 75,8 milhões, em um período de 294 dias, entre janeiro e outubro de 2025.
A Polícia Federal também apura a existência de pagamentos extraordinários a conselheiros e servidores, possivelmente realizados por meio de uma estrutura paralela de remuneração.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais e resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento de conselheiros e outras medidas cautelares relacionadas à investigação.
Os fatos continuam sendo apurados sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As prisões são preventivas e não representam condenação, sendo assegurados aos investigados os direitos à defesa e à presunção de inocência.