Polícia OPERAÇÃO DA PF
Presidente do TCE-MT e outros presos pela Polícia Federal são transferidos para unidades prisionais após audiência de custódia
Sérgio Ricardo foi encaminhado ao Bope, em Cuiabá; outros investigados foram levados para presídios da capital e de Várzea Grande após a Justiça manter as prisões preventivas.
30/10/2026 08h21
Por: Redação H1MT
Reprodução

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e outros investigados presos durante a Operação Tomada de Contas foram transferidos para unidades prisionais na tarde desta quinta-feira (29), após passarem por audiência de custódia na sede da Polícia Federal, em Cuiabá.

A Justiça manteve as prisões preventivas determinadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da investigação que apura suspeitas de corrupção, irregularidades em contratos administrativos e movimentações financeiras milionárias dentro do Tribunal.

Sérgio Ricardo foi encaminhado ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá. A chefe de gabinete Roseli Loss foi transferida para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, também na capital.

Já os advogados Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke foram encaminhados ao Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, onde deverão permanecer em celas separadas.

Até a divulgação das informações, não havia detalhes sobre o destino do assessor Adriangelo Barros Antunes, também preso durante a operação.

As prisões fazem parte da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira, com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

A investigação aponta suspeitas de que contratos administrativos teriam sido suspensos para pressionar fornecedores, enquanto determinadas empresas continuavam recebendo pagamentos do Tribunal.

Outro ponto investigado envolve movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os registros oficiais de remuneração de integrantes da instituição.

De acordo com informações da investigação, foram identificados 150 saques em contas bancárias ligadas ao presidente do TCE-MT, totalizando aproximadamente R$ 15,6 milhões em menos de dez meses de 2025.

As movimentações teriam ocorrido por meio de uma agência bancária instalada nas dependências do próprio Tribunal de Contas.

Segundo a decisão judicial, parte das retiradas teria sido realizada por servidores ligados à Presidência, incluindo a chefe de gabinete Roseli Loss.

Os investigadores apuram a origem dos valores e a possível relação entre os saques, pagamentos administrativos e contratos firmados pelo órgão.

A Polícia Federal também investiga suspeitas de favorecimento de empresas, lavagem de dinheiro e possível existência de pagamentos paralelos a integrantes do Tribunal.

Em nota, o TCE-MT informou que adotará todas as providências necessárias para cumprir as determinações judiciais e garantir a continuidade de suas atividades institucionais.

A Corte também anunciou a suspensão do expediente e dos prazos processuais de quinta-feira (29), além da sessão plenária prevista para terça-feira, 3 de novembro.

A Operação Tomada de Contas mobilizou mais de 180 policiais federais e provocou mudanças na administração do Tribunal, incluindo o afastamento de conselheiros e a substituição temporária da Presidência.

As investigações continuam sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça. As prisões têm caráter preventivo e não representam condenação dos envolvidos, que têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.