Polícia OPERAÇÃO DA PF
Três conselheiros do TCE-MT são afastados em operação da Polícia Federal que investiga corrupção e desvio de recursos
Guilherme Maluf, Alisson Alencar e o conselheiro aposentado Valter Albano são alvos da Operação Tomada de Contas; ação também resultou na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo, e de outras cinco pessoas.
29/10/2026 10h13
Por: Redação H1MT
Reprodução

A Polícia Federal afastou três conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de corrupção, irregularidades em contratos administrativos e possíveis desvios de recursos públicos dentro da instituição.

Os alvos das medidas são os conselheiros Guilherme Antônio Maluf e Alisson Carvalho de Alencar, além do conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, que ainda integrava a Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal do Tribunal.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Primeira Página, Guilherme Maluf e Alisson Alencar também foram alvos de mandados de busca e apreensão. Já Valter Albano foi atingido pela medida em razão de sua participação na comissão do órgão, mesmo após a aposentadoria.

Primeira Página

 

A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mobilizou mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Entre os presos está o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros cinco investigados ligados à estrutura administrativa da instituição.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios de que contratos administrativos teriam sido suspensos como forma de pressionar empresas fornecedoras de serviços ao Tribunal de Contas.

Os investigadores também apuram possíveis favorecimentos na liberação de pagamentos, divergências em valores repassados a empresas e movimentações financeiras consideradas atípicas.

Outra linha de investigação envolve saques frequentes de dinheiro em espécie e possíveis relações entre depósitos bancários e retiradas de valores realizadas nas dependências da própria instituição.

Conforme as informações divulgadas, parte das suspeitas envolve o possível direcionamento de recursos para empresas de publicidade, o que poderia ter contribuído para o desvio de dinheiro público.

Além das prisões e dos afastamentos, a Justiça autorizou medidas de quebra de sigilo e sequestro de bens dos investigados, com o objetivo de aprofundar a apuração e preservar possíveis provas.

A operação provoca mudanças na estrutura administrativa do Tribunal de Contas, órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos e analisar as contas de gestores estaduais e municipais de Mato Grosso.

A Polícia Federal informou que os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os afastamentos e as prisões preventivas são medidas cautelares adotadas durante as investigações e não representam condenação dos envolvidos.

Até a divulgação das informações, não havia manifestação pública dos conselheiros afastados sobre as suspeitas investigadas.

A Operação Tomada de Contas segue em andamento, e os materiais apreendidos deverão ser analisados para esclarecer a participação individual dos investigados e a possível extensão das irregularidades.