O deputado federal eleito por Mato Grosso, Thiago Boava (PL), fez duras críticas à direção do Partido Liberal e acusou a legenda de não cumprir compromissos financeiros assumidos durante a campanha eleitoral de 2026. As declarações foram feitas na terça-feira (27), durante entrevista à rádio Centro América FM.
Eleito com mais de 72,3 mil votos, Boava afirmou que os recursos prometidos pelo partido não foram repassados conforme os acordos estabelecidos, situação que, segundo ele, provocou desgaste entre candidatos e dirigentes partidários.
O parlamentar classificou a situação como uma falta de compromisso com os próprios candidatos e questionou a postura da legenda, que frequentemente utiliza o discurso da moralidade em suas manifestações políticas.
"Eu achei muito imoral você combinar uma coisa e não entregar. E o partido que fica defendendo moralidade não pode ter esse tipo de atitude", declarou.
Segundo Boava, apesar das dificuldades enfrentadas durante a campanha, ele conseguiu encerrar a disputa eleitoral sem acumular dívidas. Entretanto, ressaltou que outros candidatos poderiam ter sido prejudicados financeiramente pela ausência dos repasses prometidos.
O deputado eleito não revelou os valores que teriam sido acordados com a direção partidária nem quanto efetivamente recebeu do fundo eleitoral.
Além das questões financeiras, Thiago Boava também criticou as articulações políticas realizadas pelo PL em Mato Grosso durante o processo eleitoral.
De acordo com o parlamentar, determinadas decisões tomadas pela direção estadual contrariaram orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em relação ao fortalecimento da candidatura de José Medeiros (PL) ao Senado Federal.
Boava afirmou que Bolsonaro defendia uma atuação mais concentrada em favor de Medeiros, mas que as alianças políticas construídas no estado teriam colocado essa estratégia em segundo plano.
O deputado relatou que acompanhou de perto as articulações do ex-presidente durante o período em que permaneceu em Brasília, após a morte de sua esposa, a ex-deputada federal Amália Barros, em 2024.
Segundo ele, sua candidatura à Câmara dos Deputados foi incentivada diretamente por Jair Bolsonaro, motivo pelo qual esperava que os compromissos assumidos pela legenda fossem cumpridos.
Diante das divergências, Boava afirmou que decidiu conduzir parte de sua campanha de maneira independente, afastando-se das articulações realizadas pela direção estadual do partido.
Apesar das críticas, o deputado eleito descartou, neste momento, um rompimento com o Partido Liberal.
Ele afirmou que continua mantendo diálogo com integrantes da direção estadual, incluindo Ananias Filho e Helito, e reconheceu os resultados eleitorais conquistados pela legenda em Mato Grosso.
Nas eleições de 2026, o PL elegeu três deputados federais, quatro deputados estaduais e um senador pelo estado.
Para Boava, entretanto, o desempenho nas urnas não elimina os problemas internos relacionados à organização partidária e à distribuição dos recursos destinados às campanhas.
Questionado sobre a possibilidade de deixar o PL, o parlamentar afirmou que pretende conversar com Jair Bolsonaro antes de tomar qualquer decisão sobre seu futuro político.
O deputado também atribuiu parte de sua vitória à influência política do ex-presidente, destacando que essa relação já havia sido importante para a trajetória eleitoral de Amália Barros.
As declarações evidenciam divergências internas no Partido Liberal em Mato Grosso, especialmente sobre a condução das campanhas, a distribuição do fundo eleitoral e as alianças políticas estabelecidas durante as eleições.
Até as publicações consultadas, não havia sido apresentada uma manifestação da direção estadual do PL esclarecendo os valores questionados pelo deputado.