O dólar comercial encerrou esta terça-feira (27) em queda de 0,97%, cotado a R$ 5,35, após um dia de oscilações no mercado financeiro brasileiro. O recuo ocorreu depois da forte valorização registrada na segunda-feira (26), quando a moeda norte-americana disparou em meio à reação dos investidores ao resultado das eleições presidenciais.
Na segunda-feira, primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar havia encerrado o pregão cotado a R$ 5,40, com valorização de 8,21%. Na mesma sessão, a Bolsa de Valores brasileira registrou queda de 13,88%, em um dos movimentos mais expressivos de sua história recente.
Nesta terça-feira, o cenário apresentou uma redução da pressão sobre o câmbio. Por volta das 9h22, o dólar era negociado a R$ 5,36, com desvalorização de 0,85%.
Ao longo da manhã, a moeda chegou a atingir R$ 5,32, registrando queda de 1,58%. Posteriormente, voltou a apresentar oscilações, encerrando o dia em R$ 5,35.
Apesar da desvalorização, a cotação permaneceu acima dos níveis registrados antes do segundo turno das eleições, quando o dólar era negociado próximo de R$ 5.
O comportamento do mercado financeiro continua sendo influenciado pelas expectativas relacionadas à política econômica que será adotada pelo governo federal durante o quarto mandato de Lula, previsto para começar em janeiro de 2027.
Entre os principais pontos acompanhados pelos investidores estão o controle dos gastos públicos, a trajetória da dívida federal e a definição de quem ocupará o Ministério da Fazenda nos próximos quatro anos.
Analistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que parte da turbulência registrada na segunda-feira esteve relacionada à mudança nas expectativas dos investidores após o resultado eleitoral.
Antes do segundo turno, segmentos do mercado financeiro trabalhavam com a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado a primeira etapa da disputa presidencial à frente de Lula.
Com a confirmação da reeleição do petista, investidores passaram a reavaliar suas posições, provocando movimentos expressivos no câmbio e na Bolsa de Valores.
A economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que as expectativas eleitorais influenciaram diretamente o comportamento dos ativos brasileiros nas últimas semanas.
Segundo a especialista, o mercado havia apresentado forte valorização após o primeiro turno, quando a Bolsa brasileira ultrapassou a marca de 209 mil pontos, acompanhada de uma queda na cotação do dólar.
A mudança no resultado esperado por parte dos investidores contribuiu para a instabilidade observada após o segundo turno.
No cenário internacional, as principais bolsas apresentaram comportamentos distintos nesta terça-feira, com altas e baixas nos mercados asiáticos e europeus.
O petróleo também registrou recuo. O barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado a aproximadamente US$ 109,73 no fim da tarde.
A valorização do dólar em relação ao real pode produzir efeitos sobre diferentes setores da economia brasileira, especialmente aqueles que dependem da importação de produtos, equipamentos, combustíveis e matérias-primas.
Em Mato Grosso, onde o agronegócio possui participação expressiva na economia, as oscilações cambiais também são acompanhadas por produtores rurais e empresas exportadoras.
A alta da moeda norte-americana pode favorecer a receita em reais obtida com exportações, mas também elevar os custos de insumos importados, como fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas.
Especialistas destacam que os efeitos dependem de fatores como contratos comerciais, custos de produção e condições do mercado internacional.
Nos próximos dias, a atenção dos investidores deverá permanecer voltada às declarações do presidente reeleito e de sua equipe econômica, principalmente em relação às medidas previstas para o equilíbrio das contas públicas.
A expectativa é que novas sinalizações sobre a condução da política fiscal e a composição do Ministério da Fazenda influenciem o comportamento do dólar, dos juros e da Bolsa de Valores.