O deputado federal e senador eleito por Mato Grosso, Zé Medeiros (PL), apresentou representações ao Ministério Público Eleitoral para solicitar a investigação de um possível uso político da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em manifestações favoráveis à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar também encaminhou um requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública cobrando informações sobre denúncias de tráfico de drogas nas dependências da instituição.
As representações foram encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral em Mato Grosso e à Procuradoria-Geral Eleitoral. Os documentos questionam a suspensão das atividades acadêmicas entre os dias 23 e 26 de outubro, estabelecida pela Resolução CONSEPE nº 700/2026, publicada em 14 de outubro.
Medeiros solicita que os órgãos competentes investiguem se a decisão administrativa teve alguma relação com manifestações políticas realizadas no ambiente universitário e se houve utilização de recursos públicos, servidores, instalações ou canais oficiais da UFMT para beneficiar a candidatura presidencial de Lula.
Entre os episódios mencionados está uma manifestação realizada nas proximidades da Guarita I, na entrada do campus de Cuiabá, que teria sido convocada pela Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT-SSind) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (SINTUF-MT).
Outro ponto apresentado pelo parlamentar envolve um vídeo atribuído a um representante estudantil, no qual teria sido anunciada a suspensão das atividades acadêmicas, acompanhada de uma manifestação de apoio eleitoral ao presidente Lula.
As representações mencionam a reitora da universidade, professora Marluce Aparecida Souza e Silva, e integrantes de órgãos colegiados, solicitando esclarecimentos sobre os fundamentos administrativos da suspensão das aulas e eventual participação da gestão universitária na organização ou divulgação de atos políticos.
O parlamentar também pede a preservação de vídeos, publicações, documentos e outros registros que possam contribuir para a investigação de possíveis irregularidades eleitorais, incluindo abuso de poder e condutas vedadas a agentes públicos.
Em outra frente, Zé Medeiros protocolou requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), solicitando informações sobre registros criminais e medidas adotadas para prevenir e combater o tráfico de drogas em universidades federais, especialmente na UFMT.
O documento menciona a prisão de cinco suspeitos em junho de 2024, em uma ocorrência divulgada pela imprensa, além de denúncias publicadas em julho de 2025 sobre possível comercialização de entorpecentes em banheiros do campus universitário.
Medeiros quer saber se a administração da universidade comunicou essas ocorrências às autoridades policiais, quais providências foram adotadas e se existem protocolos de cooperação entre a instituição e os órgãos de segurança pública.
O requerimento também solicita estatísticas de ocorrências desde janeiro de 2023, informações sobre operações policiais, ações integradas de segurança e eventuais recursos federais destinados ao enfrentamento do tráfico de drogas em instituições de ensino superior.
A discussão sobre segurança nas universidades públicas ganhou repercussão recentemente após declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que associou estudantes e professores ao consumo de drogas durante um evento político.
Em resposta, a UFMT divulgou uma nota manifestando preocupação com as declarações e defendendo que o enfrentamento às drogas seja conduzido com responsabilidade, sem generalizações ou preconceitos contra a comunidade acadêmica. A universidade também informou que encaminharia o caso à Procuradoria-Geral Federal para análise das medidas cabíveis.
As iniciativas de Zé Medeiros envolvem duas questões distintas: a apuração de possíveis irregularidades eleitorais e o levantamento de informações sobre segurança pública no ambiente universitário.
Até o momento, os requerimentos e representações apresentados pelo parlamentar não comprovam a existência de irregularidades eleitorais ou a responsabilidade da administração universitária por eventuais crimes. A confirmação dos fatos dependerá da análise dos documentos e das investigações conduzidas pelos órgãos competentes.