Política ELEIÇÕES 2026
Último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ter mudança de estratégia na reta final da eleição
Cientista político avalia que candidatos devem reduzir ataques pessoais e apostar em propostas para conquistar eleitores indecisos; confronto está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo.
21/10/2026 20h20
Por: Redação H1MT

A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se preparam para o último debate antes da votação. O confronto será realizado na sexta-feira (23), pela TV Globo, em um momento de intensa disputa política e mobilização dos eleitores.

Em entrevista ao programa Hora H, da CNN Brasil, nesta quarta-feira (21), o cientista político Lucas de Aragão, da consultoria Arko Advice, analisou as estratégias que poderão ser adotadas pelos candidatos e destacou a possibilidade de um debate menos agressivo e mais voltado à apresentação de propostas.

Segundo o especialista, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalha com a possibilidade de uma mudança de postura em relação ao confronto anterior, promovido pela Band. A expectativa é de que o senador adote um comportamento mais moderado, evitando provocações e ataques pessoais que possam afastar eleitores indecisos.

Aragão afirmou que, de acordo com conversas mantidas com integrantes da campanha, a orientação é para que Flávio reduza o tom de agressividade e procure transmitir uma imagem mais equilibrada durante o encontro.

Em relação ao presidente Lula, o cientista político apontou que um dos desafios será manter a estratégia preparada por sua equipe. Conforme sua avaliação, o petista costuma improvisar durante os debates, nem sempre seguindo as orientações definidas previamente pelos assessores.

O analista também avaliou que Flávio Bolsonaro conseguiu conduzir parte dos assuntos discutidos no debate anterior, colocando o adversário em situações de confronto. Entretanto, a expectativa é de que ambos os candidatos procurem ajustar suas estratégias para o último encontro.

Outro ponto destacado por Aragão envolve a possibilidade de a campanha de Flávio explorar declarações de Roberta Luchsinger, tema que, segundo levantamentos internos mencionados pelo especialista, teria provocado repercussão negativa para Lula.

Apesar da tensão política que marca a disputa presidencial, o cientista político considera possível que o último debate apresente uma mudança de comportamento dos candidatos, especialmente diante da necessidade de conquistar votos entre os eleitores que ainda não definiram sua escolha.

Na avaliação do especialista, os confrontos anteriores foram marcados por ataques pessoais e discussões que tiveram impacto limitado sobre o eleitorado indeciso. Por esse motivo, as campanhas podem buscar uma abordagem mais propositiva, concentrando o debate em temas relacionados ao futuro do país.

Durante a entrevista, Aragão também analisou o cenário eleitoral e afirmou considerar que Flávio Bolsonaro mantém uma pequena vantagem na disputa. A avaliação representa a interpretação do cientista político e não uma previsão definitiva sobre o resultado da eleição.

O especialista reconheceu, por outro lado, que a campanha de Lula conseguiu movimentar o cenário político nas últimas semanas, mesmo após o presidente ter terminado o primeiro turno com aproximadamente 2,2 milhões de votos a menos que o adversário.

Para Aragão, um dos principais desafios da campanha petista será reduzir a abstenção eleitoral, especialmente na região Nordeste, onde Lula possui uma base expressiva de apoio.

O cientista político também observou que parte do eleitorado dos candidatos derrotados no primeiro turno apresenta maior identificação com posições contrárias ao PT, fator que, em sua avaliação, influencia as estratégias adotadas pelas duas campanhas.

Com a proximidade da votação, a mobilização dos apoiadores e a capacidade de dialogar com os eleitores indecisos passam a ocupar posição central nas estratégias dos presidenciáveis.

O debate de sexta-feira será a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na televisão antes da eleição de domingo (25), quando os brasileiros decidirão quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.