Política NO SENADO
PP e União Brasil retiram apoio a Alcolumbre e ampliam disputa pelo comando do Senado
Rompimento político ocorre após aproximação do presidente do Congresso com Lula, enquanto federação União Progressista declara apoio a Flávio Bolsonaro e articula novo cenário para 2027.
19/10/2026 20h35
Por: Redação H1MT

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta um novo desafio político para permanecer no comando do Congresso Nacional a partir de 2027. A federação União Progressista, formada pelo Progressistas (PP) e União Brasil, decidiu retirar o apoio à sua recondução, em meio às divergências sobre os rumos políticos do país.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19) pela jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles, e revela um distanciamento entre Alcolumbre e as principais lideranças nacionais da federação, que oficializou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

Enquanto os dirigentes partidários se aproximaram do candidato do PL, Alcolumbre mantém uma relação de alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), situação que tem provocado desconforto entre integrantes da própria legenda.

A mudança de posicionamento representa um obstáculo para os planos de Alcolumbre, que pretende disputar novamente a presidência do Senado em fevereiro de 2027.

De acordo com a reportagem, o senador tem intensificado as articulações com parlamentares eleitos para a próxima legislatura, buscando construir uma base de apoio capaz de garantir sua permanência no cargo.

Nos bastidores, segundo a coluna, Alcolumbre estaria oferecendo espaços privilegiados para instalação de gabinetes e presidências de comissões parlamentares como parte das negociações para conquistar votos. As informações são atribuídas à apuração jornalística e não representam, por si só, comprovação de irregularidades.

A federação União Progressista deverá iniciar 2027 com uma bancada de 12 senadores, sendo seis representantes do PP e seis do União Brasil, considerando também os parlamentares que permanecem no exercício de seus mandatos.

Mesmo sem o apoio oficial da federação, Alcolumbre poderá disputar a presidência do Senado por meio de articulações individuais com parlamentares de diferentes partidos.

Decisões no Congresso ampliaram desgaste político

O distanciamento entre Alcolumbre e as lideranças da federação também está relacionado a decisões recentes tomadas pelo presidente do Senado.

Entre os episódios apontados pela reportagem estão a condução da proposta que discute o fim da escala de trabalho 6x1 e a retirada da PEC da Segurança Pública da pauta de votação.

A decisão sobre a proposta de segurança ocorreu em meio às discussões sobre a redução da maioridade penal, defendida por setores da oposição e por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação apresentada pela coluna, esses movimentos favoreceram politicamente o governo Lula, embora essa interpretação não signifique que tenha sido comprovada uma intenção do presidente do Senado de beneficiar o Palácio do Planalto.

Outro ponto de divergência envolve os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que não avançaram durante a gestão de Alcolumbre.

A condução dessas questões tem provocado críticas de parlamentares ligados à oposição e ampliado as discussões sobre a relação entre o Congresso Nacional e o Poder Judiciário.

Nova composição do Senado poderá mudar equilíbrio de forças

A eleição de 2026 também trouxe mudanças importantes na composição do Senado Federal, especialmente com o crescimento da bancada do Partido Liberal.

A legenda deverá iniciar a próxima legislatura com 28 senadores, ampliando sua influência nas negociações para a escolha do presidente da Casa.

Apesar desse crescimento, o PL não terá votos suficientes para eleger sozinho o próximo presidente, tornando necessárias alianças com outras legendas.

Nesse cenário, a posição de partidos como União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB terá importância nas articulações que antecedem a eleição interna.

O rompimento entre a federação União Progressista e Alcolumbre demonstra que a disputa pelo comando do Congresso já começou, mesmo antes da conclusão das eleições presidenciais.

A definição ocorrerá em fevereiro de 2027, quando os senadores escolherão o presidente da Casa para o próximo biênio.

Até lá, novas alianças e negociações deverão movimentar os bastidores de Brasília, em uma disputa que envolve não apenas o comando do Legislativo, mas também a relação institucional com o próximo governo federal e o Supremo Tribunal Federal.