Geral CIRURGIA PLÁSTICA
Morte de jovem durante cirurgia plástica em Cuiabá pode ser investigada como homicídio doloso ou culposo
Polícia Civil aguarda laudos da Politec para esclarecer as circunstâncias da morte de Lurdes Maria, de 24 anos, que sofreu uma parada cardiorrespiratória durante procedimentos estéticos.
19/10/2026 20h32
Por: Redação H1MT
O diretor-geral da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Jaime Trevizan Teixeira

A morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica realizada em Cuiabá, poderá ser investigada como homicídio doloso ou culposo. A definição dependerá dos resultados dos exames realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que busca esclarecer as causas do óbito.

A jovem morreu na última sexta-feira (16), após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante procedimentos estéticos realizados no Hospital Geral e Maternidade, na capital mato-grossense.

Mãe de duas crianças, Lurdes havia procurado atendimento para realizar uma lipoescultura e a colocação de próteses mamárias. A cirurgia foi conduzida pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza.

Durante o procedimento, a paciente apresentou uma complicação grave e sofreu uma parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação por aproximadamente duas horas, mas a jovem não resistiu.

Segundo a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os resultados periciais serão fundamentais para orientar a investigação e determinar qual equipe ficará responsável pelo caso.

A Polícia Civil busca esclarecer se houve alguma conduta que possa caracterizar responsabilidade criminal pela morte da paciente.

O homicídio doloso ocorre quando existe intenção de matar ou quando o responsável assume o risco de provocar a morte. Já o homicídio culposo é caracterizado pela ausência de intenção, mas com resultado provocado por imprudência, negligência ou imperícia.

Até o momento, a causa da morte permanece indeterminada.

A Politec deverá realizar exames complementares, incluindo análises histopatológicas, que permitem identificar alterações em tecidos e órgãos, e exames toxicológicos, utilizados para detectar substâncias presentes no organismo.

Ainda não existe previsão oficial para a conclusão dos laudos.

Médico nega irregularidades e afirma que houve complicação súbita

Por meio de seu advogado, o médico responsável pela cirurgia informou que Lurdes havia realizado as avaliações pré-operatórias necessárias e que o procedimento estava sendo conduzido em ambiente hospitalar adequado, com profissionais habilitados.

Segundo a defesa, a equipe identificou uma intercorrência inesperada, interrompeu imediatamente a cirurgia e iniciou os procedimentos de reanimação.

O advogado sustenta que a morte pode ter sido provocada por uma complicação súbita reconhecida pela literatura médica, mas ressalta que a causa definitiva deverá ser esclarecida pelos órgãos periciais.

Médico já foi condenado em processo por danos a paciente

O cirurgião também possui histórico de processos judiciais relacionados a procedimentos estéticos.

Em junho de 2025, a Justiça de Mato Grosso determinou que o profissional pagasse R$ 42,1 mil em indenizações por danos materiais, morais e estéticos a uma paciente. A condenação foi mantida após recurso.

Além desse processo, o médico responde a outras ações movidas por pacientes que relatam complicações e resultados insatisfatórios após cirurgias plásticas.

As demais ações ainda estão em andamento, e as alegações apresentadas não representam comprovação automática de erro médico.

A morte de Lurdes Maria provocou repercussão e levantou questionamentos sobre os riscos associados aos procedimentos estéticos, especialmente em situações que envolvem cirurgias combinadas.

A Polícia Civil seguirá acompanhando os trabalhos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar a existência de eventual responsabilidade criminal.