ndicações, o licenciamento ambiental das lavouras foi conquistado em outubro de 2025, representando um avanço para a atividade produtiva das comunidades.
A medida abriu caminho para o acesso ao crédito bancário e para a rastreabilidade da produção agrícola, ampliando as possibilidades de comercialização dos produtos.
Além de sua atuação técnica, Maria Cecília também contribui para a valorização da identidade cultural Haliti-Paresi, mantendo viva a língua de seu povo e demonstrando que a formação profissional pode caminhar ao lado das tradições indígenas.
Sua presença na lista da Forbes representa o reconhecimento de uma trajetória ligada à educação, ao desenvolvimento econômico e à autonomia das comunidades indígenas de Campo Novo do Parecis.
Neiriane Taerik: liderança feminina transforma castanha-do-pará em oportunidade em Brasnorte
Em Brasnorte, no noroeste de Mato Grosso, outra liderança indígena também conquistou reconhecimento nacional.
Aos 26 anos, Neiriane Taerik tornou-se a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, organização que reúne 12 aldeias do povo Rikbaktsa, na Terra Indígena Erikpatsa.
Sua atuação está diretamente ligada ao fortalecimento da economia comunitária por meio do extrativismo sustentável da castanha-do-pará.
À frente da associação, Neiriane participa da organização de iniciativas que permitem às famílias indígenas gerar renda a partir dos recursos naturais da floresta, conciliando atividade econômica e conservação ambiental.
Um dos principais projetos desenvolvidos na comunidade envolve um grupo de 16 mulheres indígenas, responsáveis pelo beneficiamento e pela comercialização da castanha-do-pará.
Entre 2024 e 2025, o grupo comercializou aproximadamente 2,5 toneladas do produto, demonstrando o potencial econômico da atividade.
O crescimento da iniciativa também despertou o interesse de outras mulheres das aldeias, que aguardam oportunidades para integrar o trabalho coletivo.
Projeto busca ampliar produção e preservar a floresta
A iniciativa desenvolvida pelas mulheres Rikbaktsa faz parte do projeto de bioeconomia Biodiverso, que incentiva a geração de renda sustentável em territórios indígenas.
Segundo a Forbes, os territórios participantes do projeto produzem atualmente cerca de 34 toneladas de castanha por ano.
A meta estabelecida é alcançar 800 toneladas anuais até 2027, envolvendo aproximadamente 300 extrativistas e contribuindo para a conservação de 1,4 milhão de hectares de floresta.
O projeto demonstra como a organização comunitária e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais podem criar oportunidades econômicas sem a necessidade de desmatamento.
A atuação de Neiriane também representa uma mudança importante na participação feminina nos espaços de decisão das comunidades indígenas, historicamente ocupados predominantemente por homens.
Ao assumir a presidência da associação, ela passou a representar não apenas sua aldeia, mas também o trabalho coletivo das mulheres Rikbaktsa que encontram na floresta uma fonte de sustento e desenvolvimento.
Reconhecimento nacional destaca força das mulheres indígenas da região
A presença de Maria Cecília Zenezokemaero e Neiriane Taerik na seleção da Forbes demonstra a diversidade de atividades econômicas desenvolvidas pelas comunidades indígenas de Mato Grosso.
Enquanto Maria Cecília atua na agricultura mecanizada e na assistência técnica às lavouras do povo Haliti-Paresi, Neiriane trabalha no fortalecimento do extrativismo sustentável e na comercialização de produtos da floresta.
Embora desenvolvam atividades diferentes, ambas compartilham o compromisso com a autonomia econômica, a valorização cultural e o fortalecimento de suas comunidades.
O reconhecimento também projeta nacionalmente os municípios de Campo Novo do Parecis e Brasnorte, evidenciando iniciativas que integram conhecimento técnico, empreendedorismo, organização comunitária e preservação ambiental.
Sete mulheres de Mato Grosso integram a lista da Forbes
Além das duas lideranças indígenas, outras cinco mulheres ligadas ao agronegócio mato-grossense foram selecionadas pela revista:
Belisa Maggi: presidente da Fundação Amaggi, ligada a um dos maiores grupos empresariais do agronegócio brasileiro;
Carmen Perez: pecuarista de Araguaiana, reconhecida por iniciativas voltadas ao bem-estar animal;
Geni Caline Schenkel: presidente do Movimento Agroligadas, de Campo Verde;
Mônica Marchett: empresária de Rondonópolis e diretora da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil;
Natália Martins: pecuarista de Cáceres, ligada à seleção genética de bovinos.
A lista Forbes: As 100 Mulheres Poderosas do Agro chega à sua segunda edição, após a primeira publicação em 2021.
A seleção reconhece mulheres que exercem influência e participam de decisões importantes em diferentes segmentos da produção agropecuária brasileira.
Protagonismo indígena ganha visibilidade nacional
Para Campo Novo do Parecis e Brasnorte, a inclusão das duas lideranças representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade das iniciativas desenvolvidas nos territórios indígenas.
As trajetórias de Maria Cecília e Neiriane mostram diferentes caminhos para o desenvolvimento econômico, seja por meio da agricultura tecnificada, seja pelo aproveitamento sustentável dos recursos florestais.
Mais do que o reconhecimento individual, a presença das duas mulheres na publicação nacional evidencia a participação das comunidades indígenas na economia de Mato Grosso e o papel das mulheres na construção de novas oportunidades para as próximas gerações.