Geral CAÇA ILEGAL
Fazendeiro é alvo de operação contra caça ilegal de tartarugas em área de preservação de MT
Polícia Civil cumpre oito mandados em Mato Grosso e Goiás; empresário é apontado pela investigação como suposto líder de grupo envolvido na captura, abate e comércio clandestino dos animais
30/09/2026 07h25
Por: Redação H1MT
Tartaruga Iurará, ou tartaruga-da-amazônia, era caçada para ser vendida ilegalmente. – Foto: Mike Peel

A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (30), a Operação Iurará, que investiga um suposto esquema de caça, abate e comércio ilegal de tartarugas em uma área de conservação ambiental na região do Araguaia, em Mato Grosso.

Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão em propriedades rurais e outros endereços localizados em Mato Grosso e Goiás. As ordens foram expedidas pela Vara Única da Comarca de Ribeirão Cascalheira.

Cinco mandados são cumpridos em propriedades rurais de Ribeirão Cascalheira, outros dois em residências de Goiânia (GO) e um em um endereço comercial de Aparecida de Goiânia (GO).

Fazendeiro é apontado como suposto líder

Segundo a investigação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), um fazendeiro e empresário do ramo de cosméticos é apontado como suposto líder do grupo investigado.

Ele é proprietário de uma fazenda localizada às margens do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, em frente à área de conservação que seria alvo das ações investigadas.

Outras pessoas ligadas ao empresário, entre elas a esposa e funcionários, também estão entre os investigados. A suspeita é de que os animais capturados fossem posteriormente comercializados de forma clandestina.

Caça durante período de desova

Conforme a Polícia Civil, as investigações apuram ataques sistemáticos ao Refúgio de Vida Silvestre Quelônios do Araguaia, localizado na margem direita do Rio das Mortes, entre Ribeirão Cascalheira, Cocalinho e Nova Nazaré.

A operação ocorre durante o período de seca, entre setembro e outubro, época em que a tartaruga-da-Amazônia deixa os rios e se desloca até as praias para realizar a desova, ficando mais vulnerável à ação de caçadores.

Além das tartarugas, a investigação também apura a caça de outros quelônios, como cágados.

Operação mobiliza forças de segurança e órgãos ambientais

A investigação apura possíveis crimes contra a fauna silvestre, incluindo caça, abate, venda e comércio ilegal de animais, dano ambiental e associação criminosa.

A Operação Iurará conta com apoio da Polícia Civil de Água Boa, Politec, Ibama e Polícia Civil de Goiás.

O nome “Iurará” faz referência a uma palavra de origem tupi antiga utilizada para designar tartaruga de rio.