O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (27) que não sabe se recebeu um whisky de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Questionado sobre o suposto presente durante entrevista à Band, Lula disse que, caso tenha recebido a bebida, ela já foi consumida.
“Se me deu whisky, já bebi. Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei se me deu, mas se deu já bebi, pode ficar certo”, declarou o presidente.
A declaração ocorre após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e obtidas pela Polícia Federal. Em uma delas, o advogado Walfrido Warde, que atuava na defesa do ex-banqueiro, afirmou ter conversado com o presidente e relatou a Vorcaro que Lula teria agradecido pelo whisky.
A mensagem é de 22 de janeiro de 2025, 49 dias depois de um encontro entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, realizado em 4 de dezembro de 2024.
Após a divulgação das mensagens, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que Lula não recebeu presente de Vorcaro e que o presidente desconhecia a suposta articulação conduzida pelo advogado.
Na entrevista deste domingo, Lula também foi questionado sobre as declarações de Warde e colocou em dúvida os relatos atribuídos ao advogado.
O presidente afirmou que não poderia controlar o que um advogado ou lobista dizia a terceiros e reiterou sua versão sobre o encontro que manteve com Vorcaro.
Segundo a Presidência, Lula encontrou Vorcaro uma única vez, em 4 de dezembro de 2024. A reunião não estava previamente agendada.
De acordo com a versão apresentada pelo governo, durante o encontro Vorcaro afirmou que estaria sendo alvo de perseguições. Lula teria respondido que eventuais denúncias envolvendo a instituição deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
Também participaram da reunião o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, que na época era diretor de Política Monetária e atualmente preside o Banco Central.
O episódio ganhou repercussão política depois que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime pedindo investigação sobre o suposto presente e a relação entre Vorcaro e integrantes do governo. O pedido cita suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa, alegações que ainda dependem de apuração.